Belo Horizonte -Advogado e sócio do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, Rogério Lanza Tolentino foi condenado em um dos processos resultantes do mensalão do PT que tramita na Justiça Federal de Minas.
Tolentino se tornou o primeiro réu condenado pelo suposto esquema de compra de apoio político pelo governo Lula, um ano e dez meses depois de aberta esta ação penal - desdobramento do processo principal, no Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo crime de lavagem de dinheiro, Tolentino foi condenado a sete anos e quatro meses de prisão e ao pagamento de 3.780 salários mínimos. Os bens dele estão sequestrados desde 2008. Ele poderá recorrer em liberade.
Ele segue réu com mais 38 pessoas na ação do STF. É denunciado por lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
No processo de Minas, Tolentino foi apontado como braço direito de Valério, principal operador do mensalão.
Conforme a denúncia, o advogado movimentou “vultosos recursos” na sua conta particular, transferidas das empresas de Valério envolvidas no mensalão.
As movimentações ocorreram entre maio de 2002 e agosto de 2005, dois meses após vir à tona o escândalo.
Em 26 de agosto de 2005, Tolentino recebeu em sua conta R$ 1,84 milhão que estava investido em ações da Vale e da Petrobras pela SMP&B, empresa de Valério.
Três dias depois, Tolentino transferiu R$ 1,6 milhão para a conta de um filho, dinheiro repassado no dia seguinte para a conta de uma corretora. A quantia tem origem na SMP&B, o Banco Rural e o “Tesouro Nacional, por intermédio da SMPB”.
O advogado de Tolentino, Paulo Sérgio Abreu e Silva, reclamou de não ter tido acesso à sentença. Ele negou que os valores tenham relação com o mensalão.
Disse que o dinheiro é de honorários advocatícios por serviços prestados pelo seu cliente às empresas de Valério e as movimentações foram declaradas à Receita.