Com o desafio de difundir nesta reta final de campanha, segundo ele próprio, de que é candidato a governador do Estado e não à reeleição a deputado federal, Celso Russomanno (PP) esteve em Bauru pedindo votos, ontem, já com a inscrição de um novo vice na chapa consumada junto à Justiça Eleitoral. O partido decidiu não esperar pela indefinição jurídica em torno do nome que estava inscrito (Marcos Vinicius apresentou dupla filiação) e anunciou a troca pelo também educador André Jorge, professor universitário ligado à cidade de Franca (SP).
“Vamos reverter este quadro. Meu maior problema é que as pessoas me colocam como primeiro nos indicadores para ser deputado federal e eu sou candidato a governador de São Paulo. Vou trabalhar forte isso e mostrar que sou alternativa”, posiciona.
Com o JC em mãos, o jornalista aproveitou a manchete de ontem que retratou o aumento dos casos de crimes graves e ligados à drogas com adolescentes, para defender a contratação pelo Estado de dois policiais da reserva por unidade escolar para coibir a venda e consumo de entorpecentes.
Segundo ele, a medida deu certo no Rio Grande do Sul. “Tudo o que é bom tem de ser mantido e tem de ser aumentado. O crack está tomando conta das escolas no Interior do Brasil todo. E Bauru é um problema. Eu fui vice-presidente da CPI do Narcotráfico e confirmamos que aqui é rota. Na escola, queremos que ex-viciados deem palestras informando sobre o caminho de ida e da volta, dizer para o cara que sentia isso e aquilo, achava que era bom, que era chamado de careta e entrou nessa, que curtia o barato e depois entrou na fissura de não conseguir ficar sem e a vida começou a entrar em parafuso, comecei a roubar e destruí minha família. Tem de contar isso nas escolas e dois policiais da reserva por escola vão atuar também”, defendeu.
A colocação de policiais, segundo ele, vai atingir, se eleito, os inativos a partir de 50 anos. “Vamos contratar inativos na faixa de 50 anos que já serviram a polícia militar e que geralmente já têm um netinho e tem outra visão também de como lidar com os menores. Faz um curso rápido para esse pessoal lidar com os alunos nas escolas, paga um salário adicional e eles ficam cuidando dessas escolas”, argumenta.
Autor de duas propostas de emenda constitucional na Câmara dos Deputados tratando da tentativa de unificação das polícias, Russomanno considera que a estratégia é integrar as normas para que as polícias Civil e Militar trabalhem juntas, com estratégias distintas. “Avançamos com essas emendas constitucionais, mas quando chegou perto de um acordo para os projetos começou a dar atrito se ficaria patente ou se era nomenclatura de delegado, inspetor, investigador. Cada corporação puxou de seu lado. Pedi para apensar duas PECs e a comissão especial vai discutir o melhor caminho. O único País do mundo que tem duas polícias é o Brasil. Minha proposta é juntar as ações, com a definição das estratégias integradas, uma continua ostensiva e preventiva e outra de investigação”, cita.
A partir da mudança na regra que define o papel das polícias, ele acrescenta que, se eleito governador, vai unificar ações operacionais e de segurança. “Começa por uma mesma central telefônica da Polícia Civil e Militar. Não tem sentido a população ter de recorrer a duas centrais e para casos distintos. Elas vão ter de conversar entre si para combater o crime. E isso é decisão de gestão, que não depende de lei”, argumenta.
Efeito Maluf
Ao saber que a principal liderança do partido, Paulo Maluf, elogiou no JC os candidatos adversários do PP na disputa ao Palácio dos Bandeirantes (Alckmin, Skaf e Mercadante), Russomanno minimizou que esta posição era pessoal do companheiro de legenda. “Esta é a posição pessoal dele. Eu não acho o PSDB preparado para enfrentar os problemas de São Paulo depois desses 16 anos de governo com os problemas que persistem. Meu desafio é que as pessoas saibam que eu não sou candidato a deputado federal, que estou disputando a eleição para governador. Vou difundir isso e reverter o jogo neste mês de campanha”, reforça.
Para Celso Russomanno, seu papel é apresentar os defeitos do atual governo. ”A pessoa do Paulo Maluf fala como candidato a deputado federal. Eu falo como o candidato a governador do Estado. Estou com pouco tempo de televisão para falar onde está errado e como resolver. E vou reverter isso”, pondera.
Russomanno disse que vai derrubar a taxa de administração dos contratos de concessões de pedágios. “A taxa é de 20% de administração e na caderneta de poupança não chega nem a um por cento. Vou baixar de 20% para 7% que é a média brasileira. Vou tirar impostos de estradas públicas, porque as pessoas já pagam seis impostos relacionados à área, com o ICMS, o IPVA, a gasolina e de novo o ICMS e ainda paga imposto sobre pedágio e ISS que vem embutido nas cobranças. Eu substituo ISS dos prefeitos com investimentos nas cidades”, lista.