08 de julho de 2026
Geral

Viroses elevam demanda no PAI em 25%

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Febre, tosse, dor de garganta, vômito e diarreia. Não foi difícil encontrar, nesta semana, crianças com pelo menos um desses sintomas em busca de socorro no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) de Bauru. Por conta da estiagem que completou 50 dias ontem, as crianças são as principais vítimas das conhecidas viroses, que fizeram com que a demanda na unidade de saúde aumentasse em 25% nesta semana.

O problema é que os vírus encontram no tempo quente, na baixa umidade relativa do ar e no convívio de pessoas em locais fechados o ambiente propício para se proliferarem. De acordo com o Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, em períodos considerados normais, o dia mais movimentado (segunda-feira) do PAI chega a registrar uma média de 240 atendimentos.

No primeiro dia útil desta semana, no entanto, os pediatras precisaram tratar 306 pacientes. Com o aumento da demanda, o tempo de espera para chegar ao consultório médico chegou a cerca de três horas e meia.

Na tarde de ontem, a fila estava menor e o tempo de espera, em torno de duas horas. Mesmo assim, as mães se mostravam impacientes com seus filhos no colo, a maioria deles com sintomas característicos de virose.

O pequeno Miguel Henrique, de apenas 2 meses, perdeu mais de um quilo em uma semana por conta de uma diarreia incessante. A mãe de primeira viagem Luzinéia Martins Maia, 16 anos, procurou o PAI na tarde de ontem sem saber qual seria o diagnóstico do bebê. “Ele está com febre e não está comendo, mas não sei o que ele tem. Pode ser que seja virose, só espero que não seja nada grave”, revela.

A dona de casa Edna Lúcia Costa Alves, 22 anos, também levou a filha Laís, 3 anos, à unidade de saúde porque ela apresentava febre de 39 graus. Abatida, a menina reclamava de dor na cabeça e permanecia imóvel no ombro da mãe, que, em pé, aguardava ser chamada.

“Faz uma hora que estou aqui e ainda nem fizeram minha ficha. Disseram que o computador quebrou e as fichas estão sendo feitas na máquina do Pronto-Socorro Central. Só que demora, porque lá eles também fazem um monte de outras fichas, né?”, questiona.

Espera tolerável

Já a dona de casa Talita Soares Navarro da Cruz, 26 anos, estava no PAI porque a filha Loyze, 2 anos, estava tendo episódios de vômito desde segunda-feira e, por esse motivo, parou de comer. Sem febre, mas bastante quieta, a garotinha aguardou por duas horas até conseguir ser atendida.

Conforme o médico Luiz Antônio Sabbag, diretor do DUE, esta é a média de tempo de espera tolerável em dias de maior demanda, principalmente quando se passam muitos dias sem que uma gota sequer caia do céu, como agora. “Com calor e baixa umidade, esses são os casos mais comuns no pronto-atendimento. E as viroses não são ligadas somente às vias nasais, mas também a todo o trato gastrointestinal”, alerta Sabbag.

Segundo ele, o tempo seco faz com que as mucosas, como as narinas e garganta, ressequem e deixem de desempenhar plenamente seu papel de proteção contra centenas de vírus. As crianças são as mais vulneráveis por ainda não possuírem o sistema imunológico completamente maduro.

Mas, como os sintomas da atuação desses vírus no organismo são bastante semelhantes, geralmente não há necessidade de eles serem identificados para que o tratamento seja adequado. “Geralmente, essas viroses não são graves, mas se dissipam muito facilmente em ambientes fechados onde há presença de grande quantidade de pessoas”, aponta o médico.

Além de evitar locais com pouca circulação de ar, as pessoas podem recorrer a outras táticas para evitar a doença. “A prevenção pode ser feita com a ingestão de muito líquido, higienização dos alimentos e das mãos das crianças, que são mais suscetíveis porque não têm muita consciência de que não se pode colocar a mão suja na boca”, enumera Sabbag.

Também fazem parte da lista de cuidados não expor os pequenos a mudanças bruscas de temperatura e manter o ambiente doméstico umedecido com uma bacia de água ou toalha molhada posicionados em local arejado.

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O que é

Virose nada mais é do que uma doença causada por um vírus indeterminado e que, se tratada, não acarreta graves consequências. Os sintomas são diferentes, de acordo com o local onde o vírus se aloja. Se for nas vias respiratórias, causa febre, dor de garganta, coriza e tosse. Os que se instalam no sistema gastrointestinal provocam vômitos e diarreias.

As viroses normalmente têm sintomas parecidos e duram, em média, de sete a dez dias. O tratamento deve ser com antitérmicos para baixar a febre, hidratação, descanso e boa alimentação. Caso os vômitos e a diarreia sejam muito intensos, pode ser preciso tratamento com soro intravenal.

Se a febre for muito alta e não baixar depois de três dias, deve-se contatar novamente o médico. Em alguns casos, principalmente se não forem tratadas, as viroses podem evoluir para doenças mais graves, como pneumonia ou meningite viral.

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Para secretário, população precisa procurar UBS para desafogar o Pronto-Atendimento

O secretário municipal de Saúde, Fernando Casquel Monti, recomenda que pais de crianças com sintomas de virose procurem a unidade básica de saúde (UBS) mais próxima de suas residências para que o atendimento no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) não seja sobrecarregado. De acordo com ele, a maioria dos casos não são graves e podem ser tratados com tranquilidade nos bairros.

“Os profissionais dessas unidades são plenamente capazes de dar orientações e fazer alguns procedimentos mais simples, como uma inalação, que é o que esses casos demandam”, salienta, afirmando não caber a adoção de nenhum plano emergencial para aumentar a capacidade de atendimento do PAI.

Para o ano que vem, no entanto, ele destaca que a rede municipal de saúde sofrerá uma sensível melhora por conta de uma série de medidas que serão adotadas pela administração, entre elas a inauguração da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e a ampliação de equipes do Programa Saúde da Família.

“Também teremos um quadro profissional de médicos maior por conta da aprovação do PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários) dos Servidores da Saúde e da reestruturação da secretaria. E estamos lutando ainda pela informatização do sistema de dados da saúde”, enumera.

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Ar seco faz incidência

de catapora disparar

De janeiro a agosto deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde registrou seis surtos de catapora em Bauru, com 45 pessoas afetadas. Em outras cidades, como São José do Rio Preto, a situação é pior: os casos aumentaram 756% de junho a agosto - em 2009, 92 pessoas foram infectadas, ante 788 neste ano.

Em Presidente Prudente os casos subiram 52%; em Araçatuba o índice é 42% maior. Segundo especialistas, o tempo seco dos últimos três meses e a aglomeração de pessoas favorecem a contaminação por vírus respiratórios e podem estar ligados a uma alta de casos no Interior.

A umidade relativa do ar chegou a cair a menos de 10% em algumas regiões do Estado, como Presidente Prudente, que registrou 6%. Em Bauru, nos últimos 15 dias secos, o menor índice foi de 13%. Depois melhorou e o menor valor ontem foi de 20%.

O infectologista Carlos Magno Fortaleza, professor da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu, diz que as narinas ficam ressecadas e inflamam, o que facilita a entrada de vírus e bactérias no organismo.