A circulação e o consumo de drogas no interior de presídios não são novidades. Geralmente, se atribui a visitas ou mesmo a presos a introdução de entorpecentes na unidade prisional. Porém, na manhã de ontem, em Bauru, um agente penitenciário do Instituto Penal Agrícola (IPA) foi preso após ser flagrado repassando entorpecentes a um dos detentos da unidade.
Por volta das 6h, durante o café dos funcionários, o agente de segurança penitenciária Agnaldo Luiz Marcello, de 28 anos demonstrou comportamento suspeito. De acordo com o delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva, os colegas de trabalho do acusado perceberam que ele estava muito nervoso. Além desse fato, no Boletim de Ocorrência (BO) consta que Marcello já estava sendo monitorado por suspeitas de atividades ilícitas.
Quando o agente entregava um embrulho ao detento Anderson Cássio Penuela, 33 anos, na cozinha, foi surpreendido pelos outros funcionários, que já estavam de campana. Segundo o delegado, as testemunhas afirmam que Marcello retirou um pacote de suas vestimentas e entregou ao detento.
Após ser flagrado, o detento tentou fugir. Ele correu em direção aos pavilhões e ainda pulou um alambrado, porém, foi detido logo em seguida. Na fuga, ele deixou cair o embrulho com cerca de 1,1 quilo de maconha.
Imediatamente, o agente penitenciário foi preso. Na delegacia, ele negou que estivesse envolvido e que sequer conhecia o detento. De acordo com o delegado Carlos Alberto, ele disse que somente foi à cozinha para pegar um pão e não entende de onde tiraram a acusação.
Já Anderson Penuela não quis dar declaração sobre o ocorrido e afirmou que somente falará em juízo. Ele cumpria pena em regime semi-aberto por roubo e agora voltará ao regime fechado.
Ambos foram indiciados em flagrante pelo crime de tráfico e associação ao tráfico, que, juntos, geram uma pena máxima de 15 anos de detenção. Porém, pelo fato dos delitos terem sido cometidos dentro de uma instituição pública, caso sejam condenados, podem ser somados mais 8 ou 10 anos nas respectivas penas.
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Servidor pode ser demitido
A assessoria de comunicação da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) afirmou, em nota, que, caso seja confirmado o envolvimento do agente penitenciário Agnaldo Luiz Marcello, ele fica sujeito a punição que varia de prestação de serviços aos bens públicos até a demissão.
Ainda em depoimento à polícia, o agente declarou que nunca respondeu por outros processos administrativos. Até o fechamento desta edição, a reportagem não havia conseguido entrar falar com a diretoria da unidade de Bauru do IPA para confirmar se o servidor não respondia por outros processos, se ele realmente já estava sendo monitorado e por quais motivos.
No final da tarde de ontem, ambos os acusados foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP). Anderson Penuela responderá as acusações em regime fechado e o destino do agente penitenciário é o presídio de Tremembé.