10 de julho de 2026
Bairros

Moradores derrubam muros irregulares à espera de asfalto

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Há aproximadamente dois meses, os moradores das quadras 4, 5, 6, 7 e 8 da rua Jorge Schneyder Filho, no núcleo Ferradura Mirim, em Bauru, esperam a chegada do asfalto que faz parte do programa de pavimentação da Prefeitura Municipal, obra que abrangerá 161 quadras de bairros como núcleo Manchester e Vila Aimorés, entre vários outros.

No início dos trabalhos, funcionários da Secretaria Municipal de Obras foram até o local e solicitaram à população que derrubassem os muros das residências que invadiam a via pública para que a pavimentação fosse feita.

Já que o asfalto naquela localidade é esperado há muito tempo pelos moradores, o pedido foi aceito rapidamente. Os muros foram derrubados e alguns perderam até parte de seu estabelecimento comercial, como o funileiro Valter Leonir Vargas.

“No total eu perdi R$ 12 mil, porque além de quebrar o muro, perdi parte da minha funilaria”, reivindicou. Mas, desde então, não foi dada continuidade aos trabalhos.

Segundo o secretário municipal de obras, Eliseu Areco Neto, os muros tiveram que ser derrubados porque faziam parte da área pública e estavam irregulares. “Como os muros estavam irregulares e a empresa vai pavimentar a rua, os moradores tiveram que desapropriar aquela área”, explicou.

Dificuldades

A moradora Maria Helena de Santana, filha de “dona” Helena Maria da Silva, moradora da quadra 5 da mesma rua há 15 anos, é cadeirante e tem dificuldades de se locomover com a condução coletiva especial. “O pessoal estaciona o veículo aqui, mas ela não consegue entrar porque o elevador não tem como se apoiar por causa do desnível e do entulho”, afirmou Helena.

Rubens da Veiga Cabral, que reside na rua Jorge Schneyder Filho há 10 anos, reclama da demora nas obras. “Eles vieram aqui, pediram que nós derrubássemos o muro e nós fizemos. Mas depois que fizemos a nossa parte, nada mais foi feito e nós ficamos com o problema”.

Em média, os moradores gastaram aproximadamente R$ 4 mil para a contratação de um profissional que derrubasse o muro antigo e construísse um novo, dessa vez, de modo regular.

“Os muros foram derrubados e nem o entulho eles vieram recolher. O entulho não é prioridade, nossa preocupação é com o andamento da obra”, reivindicou Rubens.

Com a umidade do ar baixa e o tempo seco, sem previsão de chuva nos próximos dias, o entulho acumulado gera uma poeira além da que sobe com o passar dos veículos na rua de terra. Com a sujeira do entulho aliada a esse pó, moradores como José Antônio Pereira sofrem com problemas respiratórios.

“Eu estou passando mal há muitos dias por causa desse entulho. A poeira está dificultando a minha respiração e eu mal consigo sair de casa e vir na sombra da árvore que fica aqui fora. Já perdi as contas do quanto eu gastei com remédios. Minha tosse é constante e eu também fico com falta de ar”, relata.

A responsabilidade de retirada do entulho é da Secretaria das Administrações Regionais. A assessoria de imprensa do órgão informou em nota que retirará o entulho assim que outros serviços pendentes na cidade forem concluídos. Nenhum prazo foi estipulado.

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Retomada das obras

O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, salientou que a empresa responsável pela pavimentação não abandonou a obra, e sim foi atender outras frentes até que a população se regularizasse. “Ela não abandonou a obra, só está atendendo outros bairros até a população se regularizar. Não faz tanto tempo que a empresa deixou o local, entretanto, faz três meses que a obra teve início. Entre essa semana e a semana que vem eles deverão retomar as obras na rua Jorge Schneyder Filho”, afirma o secretário.

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Avenida Comendador Martha ainda

tem pendências de desapropriação

Quando a Secretaria de Planejamento (Seplan) estava solicitando a desapropriação de áreas na avenida Comendador José da Silva Martha porque parte da avenida estava sendo duplicada, a equipe de reportagem da editoria de política do Jornal da Cidade chamou a atenção dos leitores para uma situação atípica.

Uma floricultura, que está localizada próximo à rotatória da avenida, do lado direito da via para quem se desloca sentido bairro/Centro, não foi notificada, mesmo tendo parte de seu imóvel ocupando a calçada da avenida. Na época, o secretário de planejamento, Rodrigo Said, explicou que o espaço ocupado pela empresa não faz parte da área pública.

“A gente tem condições de fazer a pista no nivelamento certo, mas a calçada vai ficar menor. A mulher que mora na floricultura é inquilina. Existem litígios quanto à posse daquela área, mas aquela área não é da prefeitura. Não tem que remover ou notificar para ela sair. O que dá para fazer é o alinhamento da avenida”, justificou na ocasião.

Na tarde de anteontem, ao ser questionado pela equipe de reportagem sobre o andamento dessa desapropriação, ressaltou que o processo ainda está em andamento.

“Ali não cabe a notificação porque não é área pública, é área particular. Então, nós temos que verificar a situação para fazer a desapropriação. Por enquanto não temos nenhuma novidade e estamos estudando uma maneira de fazer essa desapropriação porque ali também tem uma casa”, ressaltou Said.