09 de julho de 2026
Nacional

Falso procurador indica contratante

Folhapress
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São Paulo - Responsável por retirar a cópia do sigilo fiscal na Receita de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, o contador Antônio Carlos Atella afirmou ontem em entrevista ao “Jornal Nacional” que um dos responsáveis por contratar seus serviços era Ademir Estevam Cabral. “É colega meu, está no meio da meia dúzia de pessoas. O que ele dizia na época é que as pessoas que solicitavam pra ele tinham pressa”, afirmou Atella.

Segundo ele, Ademir Cabral recebia demandas “do Brasil inteiro”. Citou Minas Gerais, Brasília e o Interior de São Paulo. “Era de vários lugares”, completou. Atella negou, entretanto, que Ademir Cabral teria dito a ele que o documento seria utilizado para fins políticos. Cabral afirmou ao “JN” que desconhece o pedido de cópia do Imposto de Renda da filha de Serra. “Desconheço totalmente”, disse.

Atella pediu à “Folha de S.Paulo” R$ 10 mil para revelar informações sobre para quem trabalhava. A reportagem falou com ele cinco vezes. “Estou tentando ganhar dinheiro com essa ignorância jornalística. Vão pagar para obter informação”, disse no último contato. “Se eu disser o senhor vai ter que me pagar”, completou.

Na sequência, emendou: “São 30 minutos (de entrevista) com direito a imagem. E com depósito antecipado”.

Informado de que não haveria o pagamento, Atella disse que “está sofrendo danos morais” e que processaria meios de comunicação que divulgaram informações sobre processos que ele enfrenta na Justiça e que informaram números dos quatro CPFs que utilizou.

O contador disse ainda que tinha intenção de dar o nome de quem teria o contratado para que “todo mundo corresse atrás dele”. Ao final, Atella debochou da insistência da reportagem. “Virei celebridade, agora tenho que ser remunerado”, afirmou.

2 a 10 anos de prisão

Os envolvidos na quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB podem responder por três crimes, cujas penas somadas vão de dois anos e seis meses a dez anos de prisão.

Segundo o juiz de direito Guilherme Madeira, especialista em registros públicos, se for comprovado que as violações foram feitas por um grupo, os acusados poderão ser processados por formação de quadrilha ou bando, com pena de um a três anos de prisão.

A montagem da procuração em nome da filha de José Serra com selos de cartório e assinaturas não autênticos é crime de falsidade ideológica (inserção de informações falsas em um documento). A pena vai de um a cinco anos de prisão.