Muitas famílias já vivenciaram lado a lado dois sentimentos bastante antagônicos. Primeiro, a alegria de ter um filho e, logo depois, a dor da notícia de que a criança não resistiu e acabou morrendo. Porém, essa é uma realidade que vem diminuindo em Bauru e também no Estado de São Paulo.
A Secretaria de Estado da Saúde divulgou ontem uma pesquisa realizada em parceria com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) que aponta os índices de mortalidade infantil de todos os municípios paulistas durante o ano passado. Apesar de ainda estarem longe dos apresentados nos países desenvolvidos, os índices são positivos.
A pesquisa considera a quantidade de bebês que morrem a cada mil nascidos vivos. Em Bauru, o índice de mortalidade ficou abaixo da média estadual e da regional. Na cidade, a média foi de 11,2 bebês mortos em 2009 antes de completar um ano de vida. Em 2008, este índice foi de 13.
Segundo o estudo, no ano passado nasceram 4.273 bebês, sendo que destes, 48 acabaram morrendo. Em todo o Estado de São Paulo, o índice em 2009 foi de 12,5, o melhor em toda história. Se comparado com o início da década, no ano 2000, a redução na mortalidade infantil foi de 27%.
Bauru também teve índices melhores que o da Divisão Regional de Saúde-6 (DRS-6), da qual faz parte. A média dos 68 municípios da DRS-6 foi de 12,2 crianças mortas a cada mil nascidas. Ou seja, um ponto a mais do que o município de Bauru.
Até por isso, a região de Bauru é uma das cinco em todo o Estado de São Paulo consideradas prioritárias por registrarem os maiores índices de mortalidade infantil. Profissionais das cinco regiões prioritárias farão um curso neste ano visando a redução dos índices.
Apesar da melhora, Bauru ainda está longe de cidades como Ourinhos e Mogi Mirim. Campeãs na redução da mortalidade infantil apresentaram os exemplares indicadores de 6,6 e 6,7, respectivamente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o recomendável é que os índices sejam sempre abaixo de dois dígitos, ou seja, menores que 10.
A pediatra responsável pelo Programa de Saúde da Criança e do Adolescente da Secretaria de Saúde de Bauru, Jaíra Maria Rocco Kirschner, explica que a tendência é diminuir esses índices nos próximos anos.
“Há uma melhoria visível nas unidades básicas da família. Isso proporciona melhores serviços e reflete na taxa de crianças que morrem ou sobrevivem. Se continuar esses investimentos, os números da cidade serão melhores, porém, a mãe também precisa se cuidar”, afirma.
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Outros cuidados
A pediatra Jaíra Kirschner também aponta que não é somente o pré-natal que é importante. Para ela, a mãe precisa ter inúmeros outros cuidados que passam desde a rotina até o auxílio de outros profissionais.
“Muitas acham que só consultar um médico basta. Mas ela precisa se cuidar em casa também. É preciso cuidar da alimentação, por exemplo. Vejo casos em que a gestante tem um problema dentário e não faz o tratamento porque está grávida. O certo é totalmente o contrário. Ela precisa se tratar justamente por estar grávida. Seja em um dentista ou outro profissional”, aconselha.
Ela também expõe a amamentação como tópico importante na saúde das crianças. De acordo com ela, em 31 anos de experiência como médica, é nítido que aqueles alimentados com leite materno são mais saudáveis. “Eles dificilmente têm doenças e, quando têm, são muito mais fortes para combatê-las”.
Jaíra Kirschner conta ainda que são necessárias estratégias para educar em relação aos cuidados na gestação não somente às gestantes, mas também aos próprios profissionais de saúde. “Tem mãe que sai da maternidade com receita de leite para o filho. Isso não pode acontecer. Se ela já sai com o leite que pode ou não comprar ao filho, desestimula a amamentação materna. É necessário educar a todos”, conclui.
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Pré-natal é primordial para redução das mortes
De acordo com a pediatra Jaíra Maria Rocco Kirschner, responsável pelo Programa de Saúde da Criança e do Adolescente da Secretaria de Saúde de Bauru, apesar da saúde pública ter uma grande parcela de responsabilidade na diminuição da mortalidade infantil, o cuidado fundamental parte das próprias gestantes: fazer o pré-natal.
“Desse total de 48 crianças mortas em 2009, 39 foram no período neonatal, ou seja, antes de completar um mês de vida. E isso ocorre em todo o País, não somente em São Paulo e Bauru”, destaca.
De acordo com ela, as mortes ocorridas nessa faixa etária, que são 89% do total, ocorrem devido a problemas como má-formação do feto, complicações no trabalho de parto e a prematuridade no nascimento da criança. Por isso, a médica ressalta a importância da realização do exame pré-natal, que pode identificar irregularidades durante a gestação.
“A mulher que tiver a suspeita de que está grávida deve procurar a Unidade Básica de Saúde. Elas são orientadas a fazer o teste e, se confirmada a gravidez, já é marcada a primeira consulta. Damos uma prioridade a esse acompanhamento pela importância que ele tem”.
O Ministério da Saúde recomenda que sejam feitas mais de sete consultas pré-natais. Jaíra Kirschner afirma que, em 2009, 3.263 mulheres seguiram esta recomendação, o que corresponde a 76% das gestantes na cidade.
Já a OMS recomenda apenas quatro consultas. Segundo a médica, 94% das mulheres atingiram esse número. E apenas 1% das gestantes não realizou nenhuma consulta antes do nascimento do filho.
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Índice de cidade pequena necessita de ponderação
De acordo com a pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde, o índice de mortalidade infantil na Divisão Regional de Saúde 6 (DRS-6), que abrange 68 municípios da região, foi de 12,5 em 2009. Alguns apresentaram índices muito elevados.
Balbinos (73 quilômetros de Bauru), por exemplo, aparece com índice de 83,3 crianças mortas a cada mil nascidos. Tal fato poderia ser alarmante e assustador. Porém, deve-se levar em consideração o contexto da cidade em questão.
O município é bastante pequeno e, em todo o ano passado, foram registrados apenas 12 nascimentos. Destas crianças, uma morreu antes de completar 1 ano de vida. Assim, como a média é feita a cada mil crianças que nascem, uma única morte já eleva este número para um índice altamente elevado.
O mesmo ocorre na cidade de Itaju (69 quilômetros de Bauru), que teve duas mortes em 36 nascimentos, apresentando o alto índice de 55,6.
Ao analisar demais cidades de outras regiões, percebe-se que os índices possuem maior representatividade em localidades que apresentam mais de mil nascimentos por ano. No restante, os indicadores são bruscamente alterados com uma única morte e podem fugir da realidade do local.