09 de julho de 2026
Geral

TV Unesp já está sob nova direção

Luciana La Fortezza com Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Por meio de portaria publicada ontem no Diário Oficial do Estado, a professora Ana Silvia Lopes Davi Médola foi oficialmente designada a exercer a função de diretora pró-tempore (expressão de origem latina traduzida como temporariamente) da TV Digital da Universidade Estadual Paulista (Unesp). De acordo com a publicação, o objetivo da Reitoria é preservar a rotina administrativa da TV. Conforme o JC divulgou ontem com exclusividade, ela substituirá o professor Antonio Carlos de Jesus, afastado anteontem de suas funções.

Ele responderá a processo administrativo disciplinar instaurado também anteontem para investigar responsabilidades em relação à quebra do aparelho conhecido como Maestro, cuja incumbência é ajustar o funcionamento do canal para o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). O problema ocorreu em outubro do ano passado e resultou numa sindicância. Depois de uma série de averiguações, a Reitoria recebeu a sugestão da comissão responsável por avaliar o caso para instaurar um processo administrativo disciplinar.

A recomendação foi acatada pelo reitor Herman Jacobus Cornelis Voorwald, que procurou Ana Silvia Lopes Davi Médola. “Ele me consultou, conversamos. Tenho uma trajetória de pesquisa na área de TV”, comentou ontem à noite a nova diretora, que está Caxias do Sul (RS) onde participa do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom). Ela volta para Bauru na terça-feira e não sabe quando deverá, de fato, assumir a direção da TV.

Diagnóstico

Ana Silvia aguarda instrução da Reitoria para assumir suas novas funções já que o Centro de Rádio e TV opera junto com o conselho administrativo. “Como primeira iniciativa terei de fazer um prognóstico da situação. Existem diferentes instâncias nesse processo de instalação. Isso não será feito de um dia para o outro”, afirma. Ana Silvia Lopes Davi Médola não se considera uma interventora porque a substituição foi decorrente de um processo administrativo aberto para apurar a quebra de um equipamento.

“A TV não pode ficar sem um dirigente. Esses termos (intervenção) não foram colocados. O momento requer bastante trabalho”, acrescenta. Ela terá de apurar quais são as iniciativas que devem ser tomadas para colocar a emissora no ar, respeitando a legislação. A concessão para a TV funcionar ainda não foi emitida. O pedido de concessão já passou por todos os trâmites no governo federal e falta a outorga ser emitida pelo Congresso. Não há prazo.

No entanto, cerca de 60 pessoas já foram contratadas. “Em qualquer meio de comunicação os profissionais precisam estar engajados, precisam trabalhar em equipe. Tenho muita confiança. Existe perspectiva do desenvolvimento de um trabalho importante”, diz a nova diretora. Mas já chegou ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e ao próprio JC denúncia de funcionários que se queixam de ameaças e de irregularidades nas dependências do prédio da emissora. De acordo com o relato, é tenso o clima na TV.

“Eu acho que as coisas não são estáticas, mas dinâmicas. A TV Unesp está no início de sua história”, finaliza Ana Silvia.

Conteúdo

Seja pública ou privada, a programação de uma emissora de TV deve prezar pelo conteúdo. A avaliação é da professora do Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) Ana Silvia Lopes Davi Médola, nova diretora da TV Unesp. “Os meios de comunicação, seja TV, rádio, jornal, Internet, têm que ter responsabilidade. São formadores de opinião, proliferam valores, trabalham com questões relacionadas à cidadania. Têm de zelar pela qualidade”, diz a docente da universidade.

Ana Silvia acrescenta ainda que por atender ao interesse público, a TV pública tem de estar de acordo com as demandas da sociedade, que tem uma série de problemas de ordem política e econômica. “Não temos uma democracia consolidada. Democracia não é só votar, tem que ter distribuição de renda, educação e saúde qualidade”, cita a diretora.

Processo administrativo pode levar 6 meses

O processo administrativo disciplinar que afastou Antonio Carlos de Jesus da diretoria da TV Unesp poderá levar até seis meses para ser concluído. Além dele, também foi afastado um funcionário contratado pela Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp). Outros que passaram pelo mesmo trâmite para trabalhar na emissora já se desligaram.

Teriam sucumbido ao clima de tensão da TV. Segundo reclamações enviadas ao MTE, estariam submetidos a um comando autoritário e a jornadas de trabalho que excedem o determinado em edital, quando da realização de concurso público para suas contratações. Também alegaram falta de manutenção e de materiais básicos no prédio, assim como ausência de um plano emergencial contra incêndios.

A reportagem também teve contato com profissionais que passaram pela emissora nos últimos meses e se queixaram da falta de transparência. Eles trabalhavam num prédio, situado no Jardim Contorno, adaptado para a TV. Anteontem, o ex-diretor da emissora professor Antonio Carlos de Jesus declarou que, por enquanto, prefere não se pronunciar.