08 de julho de 2026
Geral

Altos da Cidade, coração de Bauru

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Se Bauru é o coração do Estado de São Paulo, os Altos da Cidade são o coração de Bauru. É assim que a corretora de imóveis Maria Luísa Siqueira Moreno, moradora do bairro há mais de 30 anos, classifica aquela região da cidade, formada por 16 loteamentos (entre vilas e jardim).

As coincidências estão na localização, próxima da região central; no fluxo de veículos, já que possui corredores de tráfego intenso, como se fossem as artérias do corpo humano; e na vocação, voltadas a uma atividade comercial expressiva e em franca expansão.

Ocupada inicialmente por ferroviários e funcionários públicos, a partir dos anos 1930, os Altos da Cidade abrigam hoje uma gama bem mais variada de moradores, mas o poder de compra desses habitantes foi mantido, ou seja, são famílias com renda, que fazem parte das classes sociais A, B e C.

É um bairro onde o novo e o antigo convivem lado a lado. Quem circula pela região vê desde casas com arquitetura do início do século passado a edifícios modernos e imponentes – o mais sofisticado da cidade, com um apartamento por andar, está nos Altos.

Apesar de sua rápida expansão, muito da vegetação original foi mantida, o que confere aos Altos o título de bairro mais arborizado de Bauru. Só lá é possível ver os sombreados corredores verdes formados pelas copas das árvores. Por causa desse detalhe paisagístico, trata-se de uma região onde a temperatura é mais amena.

Se no início o bairro era todo residencial, hoje boa parte do espaço é ocupado por lojas, bancos, academias, padarias, restaurantes, clínicas, supermercados, enfim, por uma rede de serviços que facilita a vida dos moradores.

A despeito dessa facilidade, muitos desses moradores deixaram suas casas porque vislumbraram uma oportunidade de ganhar dinheiro. Como, aos poucos, o local foi tornando-se interessante aos olhos dos empresários, os imóveis valorizaram-se. E o que era casa virou estabelecimento comercial.

A corretora Maria Luísa, mais conhecida como Malu, lembra que muitas residências foram adaptadas ou demolidas para receber galerias de lojas. Segundo ela, essa transformação está em curso até hoje e deve continuar por um bom tempo ainda.

A explicação para isso? O fluxo intenso de moradores no local, sendo que boa parte desse público tem um alto poder de compra. As ruas dos Altos são caminhos utilizados por pessoas que moram mais ao sul, onde estão bairros e condomínios nobres da cidade. Então, manter um estabelecimento comercial no corredor por onde passam esses consumidores é um grande negócio.

Uma prova disso, segundo a corretora de imóveis, é a quase inexistência de placas de “aluga-se” ou “vende-se” no bairro.

A melhor opção

Quando decidiu deixar de morar em apartamento e ir para uma casa, o comerciante Frederico Weiser, 49 anos, analisou várias opções e decidiu-se pelos Altos da Cidade.

Ele conta que passou muitas vezes pelo bairro, mas nunca parou para prestar atenção em como era o lugar e o que ele oferece aos seus moradores. Quando fez isso, chegou à conclusão que, além de ficar numa área de fácil acesso, com vias de tráfego rápidas, o bairro é acolhedor, arborizado, silencioso à noite, aparentemente seguro, e oferece uma diversidade de serviços muito grande.

Segundo o comerciante, a empatia com a casa e com o bairro foi imediata. “Eu não conhecia os Altos. Passava por aqui, mas sem prestar atenção.” Mesmo tendo que se preocupar com aspectos que antes não estava acostumado, como a instalação de cerca elétrica, Weiser está comemorando a mudança. “Nós gostamos muito de receber amigos em casa. Para quem mora em apartamento isso é complicado”, revela. É uma mudança que ele, a mulher e o filho começaram a vivenciar recentemente.

Outro desejo do comerciante é um dia poder colocar a cadeira na calçada e conversar com vizinhos, como se fazia quando ele era criança. Apesar de ter achado o bairro relativamente seguro, ele próprio reconhece que esse desejo é mais difícil de ser realizado.

Nascida no Centro de Bauru e há décadas moradora dos Altos, Cileide Delicato Zaiden revela sua paixão pelo bairro onde mora com seus familiares e sempre cultivou boas amizades. Para ela, o fato de muitas residências terem se transformado em comércio e empresas é natural. “Os Altos têm um jeito especial, a beleza das lojas, fachadas, vitrines e recentemente ganhou novos condomínios verticais, com belos edifícios residenciais, o que o mantém bastante habitado, apesar do crescimento do comércio” analisa a moradora. Cileide diz que pretende continuar ali, assim como seus familiares e desfrutar do privilégio do fato de ter ao mesmo tempo proximidade de tudo, um ambiente alegre e de certa forma tranqüilo.