09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Monocultura no esporte


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Parabéns pelo suplemento comemorativo dos 100 anos do Noroeste. Foram 58 páginas de futebol e mais futebol reservando, infelizmente, apenas metade da página 41 com uma foto e duas laudas para a gloriosa equipe de atletismo do Noroeste de Bauru, que tantos títulos trouxe para o clube e, acima de tudo, pelo especial amor à camisa do Esporte Clube Noroeste, sem qualquer tipo de ajuda e compensação financeira para participar das competições onde quer que ocorressem, seja Bauru, Araçatuba, Birigui, nos Jogos Noroestinos, ou São Paulo e Rio de Janeiro nos eventos de amplitude nacional ou mesmo no exterior, como Uruguai, México e França, onde foi disputado o Campeonato Mundial de Atletismo Univesitário de 1957, com a presença de membros da equipe noroestina. Era, e sempre foi, o mais puro esporte amador!

Da equipe de atletismo do ECN fizeram parte, além dos mencionados na pequena nota que constou no suplemento, o ex-prefeito e ex-deputado Osvaldo Sbeghen, Joaquim Teodoro Morais, que era um autêntico coringa e esportista multifacetado que, além do atletismo, foi exímio nadador e futebolista, tendo jogado no mesmo time do Pelé, Silvio Minhoto Teixeira, Álvaro Zucchi, os Guedes (Benedito e José) e deixando para um destaque especial meu pai, Venício Tavares, que foi o maior velocista que Bauru já teve em todos os tempos, tendo alcançado a marca de 10 segundos e sete décimos nos 100 metros rasos, com toda a precariedade das pistas de terra e saibro daqueles idos tempos, sapatos de prego sem qualquer tipo de tecnologia embarcada e músculos movidos a arroz, feijão e bife, que era a alimentação frugal dos esportistas de antanho, sem anabolizantes, supervitaminas e outras criações disponíveis para “turbinar” os esportistas de agora.

Que se faça justiça à equipe de atletismo do ECN e pensemos que existe algo mais que só o futebol e sua total e esmagadora predominância no esporte brasileiro, uma verdadeira monocultura futebolística que quando sofre um revés, como o da Copa recente, deixa o Brasil inteiro nocauteado, sem rumo e nada mas a comemorar, pois tudo se resume ao futebol. (Eduardo Nunes Tavares)