09 de julho de 2026
Internacional

Sarkozy vira alvo em greve antirreforma


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Paris - Enfrentando queda na popularidade, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi o alvo principal ontem da maior greve geral organizada durante seu mandato. A paralisação, de um dia, foi convocada em todo o país para protestar contra a reforma da Previdência.

A manifestação mobilizou entre 2,5 milhões e 3 milhões de pessoas, segundo os sindicatos, e mais de 1 milhão, de acordo com o Ministério do Interior. A greve afetou principalmente o setor público, com perturbações na rede de transporte, escolas, correios, meios de comunicação e aeroportos e superou a última greve geral, em 24 de junho.

Sarkozy enfrenta escândalos de corrupção em seu governo e é criticado por medidas populistas adotadas para tentar estancar a perda de aprovação, como a expulsão de ciganos e a ameaça de revogar a cidadania de pessoas que ataquem policiais.

O presidente francês terá agora de resolver uma equação delicada: como manter o pulso firme sobre a reforma, uma das prioridades de seu mandato, sem fechar os olhos para a mobilização de ontem.

O pano de fundo da mobilização é a necessidade de reduzir despesas após a crise econômica que eclodiu há dois anos. A espinha dorsal do projeto prevê passar de 60 para 62 anos a idade mínima legal para a aposentadoria na França.

A reforma tem o objetivo de equilibrar as contas da Previdência até 2018 e evitar um rombo que poderia chegar, segundo o governo, a 45 bilhões de euros (R$ 100 bilhões) em 2020. A França é hoje um dos países da Europa com a idade mínima mais baixa para obter a aposentadoria.

Apesar de cantar vitória, os sindicatos sabem que a forte participação na greve geral não será suficiente para fazer recuar o presidente. Ao defender o projeto na Assembleia Nacional, o ministro francês do Trabalho, Eric Woerth, disse que o aumento da idade mínima legal é “indiscutível ‘’.

Os sindicatos esperam, entretanto, concessões em outros pontos do projeto, entre eles a garantia de aposentadoria especial para profissões insalubres e a manutenção da idade para obter a aposentadoria integral, que o governo quer passar de 65 para 67 anos.

O secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Bernard Thibault, diz que, se o governo não reagir, acenando para mudanças no projeto, haverá novas greves. Face à mobilização, o governo poderá fazer alguns alguns acenos. Ontem à noite, Woerth anunciou que Sarkozy vai se pronunciar sobre o assunto hoje.