09 de julho de 2026
Política

Serra: ‘Dilma é uma aposta no escuro’

Por Aurélio Alonso | Rede APJ
| Tempo de leitura: 3 min

“Com todo respeito à candidata Marina Silva, nesses 30 dias que faltam para a eleição, a disputa estará entre eu e a Dilma Rousseff”, disse ontem o candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, durante entrevista à Rede da Associação Paulista de Jornais (APJ), à qual o Jornal da Cidade está associado. “A diferença é que a candidata do PT foi fabricada e está amparada na figura de um presidente popular, mas ninguém sabe o que ela faz, o que ela pensa. Ela é uma aposta no escuro”, emendou Serra.

O tucano ainda qualificou de “sabotagem eleitoral” os últimos episódios de quebra de sigilo fiscal envolvendo a filha dele, Verônica Serra, e do vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge. E reclamou que na reta final da campanha a quebra do sigilo fiscal tenha tomado conta das discussões como o único tema. “Não paro mais de falar nisso, eu estou louco para falar de outras coisas”, disse.

Serra afirmou que em 27 anos de carreira política nunca viu um “vale tudo” como o da atual campanha eleitoral. Mas a “arapongagem” não envolve só o PT. No Rio Grande do Sul, cerca de 30 pessoas tiveram seus dados acessados indevidamente pelo sargento Cesar Rodrigues de Carvalho, lotado até há poucos dias na Casa Militar da governadora Yeda Crusis (PSDB), amiga pessoal de Serra. “Desconheço sobre isso. Estou sabendo agora, não li isso em jornais”, declarou o candidato tucano.

Durante mais de uma hora, tanto na sabatina quanto no final da entrevista, quando abordou o tema do momento que mobiliza a campanha na imprensa, Serra acusou o governo federal de institucionalizar a quebra de sigilo, via Receita Federal, e de ser uma “política de Estado do PT”.

‘Agenda Brasil’

Na primeira parte da entrevista, Serra voltou-se para os interesses específicos de São Paulo e dos cidadãos paulistas: segurança pública, saúde, transporte, conservação e ampliação de rodovias, emprego, educação, Fatecs e o ensino profissionalizante. Serra mostrou-se conhecedor das principais regiões do Estado e gerou polêmica em temas como o Trem Bala (“Não custaria R$ 32 bilhões. O custo seria de R$ 45 bilhões a R$ 50 bilhões” disparou) e política externa (“Ao contrário do PT, em política internacional, de maneira clara, defendemos os direitos humanos”).

Ainda em tom categórico, na parte final da entrevista, o candidato do PSDB criticou o que batizou de “aparelhamento do Estado por parte do PT”. Para Serra, o PT “faz enorme confusão e mistura partido político, Estado e governo”. “Eles não sabem os limites” - enfatizou, ao citar que a quebra de sigilo de políticos e de sua filha, na esfera da Receita Federal, conforme denúncias publicadas nos últimos dias - “revelam bem como atua esse Estado aparelhado”.

José Serra ainda teve tempo para falar do seu projeto de governo, assentado numa “real política econômica e de desenvolvimento”. Comentou, citando o Pré-Sal como exemplo, que não basta um país ter petróleo. “Vejam: para a Venezuela, o petróleo passou a ser um problema; para o México, não adiantou nada. É preciso estratégia”, disse o candidato. E ressaltou o caso do Chile, que se aproveita “muito bem” de uma commodity como o cobre. Depois, concluiu: “O Brasil precisa de uma política econômica planejada, com foco e, por que não, com proteção contra ameaças externas setoriais, como nas áreas têxtil e calçadista”.

A íntegra dessa entrevista será publicada no próximo domingo, em conjunto com os outros 13 jornais que integram a Rede. Estão programadas ainda entrevistas com candidatos à Presidência e ao governo do Estado, dentro do projeto da APJ chamado Agenda Brasil (eleições presidenciais) e Agenda São Paulo (disputa pelo governo de São Paulo).