09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Resposta a vivian salema


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Não iria me dar ao trabalho de respondê-la, mas como a senhora, ou senhorita, citou meu nome, vou valer-me da prerrogativa da resposta. Em primeiro lugar, gostaria de dizer que os questionamentos foram dirigidos ao prefeito, e a ninguém mais. Da próxima vez, com sua procuração para defender a administração pública, estarei enviando minhas perguntas para que vossa pessoa me responda. Apesar de admirar o prefeito como autoridade constituída, apenas exerci meu direito de cidadão e morador de Bauru e pedi esclarecimentos.

Em segundo lugar, quando me referi aos retiros, que são realizados no período de Carnaval, não estava me referindo à marcha da diversidade, pois só uma pessoa com a mente perturbada poderia supor que uma passeata realizada em plena luz do dia, em via pública e com milhares de homens, mulheres e crianças, fosse regada a orgia, bebidas e drogas. Sinto muito por seu juízo de valores a meu respeito.

Em terceiro lugar, o que contesto é o privilégio de uns em detrimento de outros, inclusive o seu, se é que você me entende. Não sei se você é ou não homossexual, pois isso não me diz respeito. Conheço pessoas com esta opção e as trato com dignidade, respeito e amor ao próximo, itens imprescindíveis para os dias de hoje.

Respeitar, tratar dignamente e não recriminar não tem nada a ver com concordar ou não com a prática. Conheço usuários de “crack”, alcoólatras, drogados e marginais, não concordo com suas práticas, mas tento ajudá-los a saírem dos vícios. Com isso quero dizer: não importa nada do que a pessoa faça, importo-me com o senso coletivo e com as almas que se perdem.

Minha querida, sinto muito por sua postura radical e prejulgativa, pois o que contesto, e sempre contestarei é a justiça social, seja ela para quem for.

Não sou a favor da discriminação, apesar de suas palavras encerrarem todo o seu latente preconceito contra os evangélicos só porque pensamos diferente e defendemos os moldes da família e do relacionamento heterossexual. E por favor, não negue, pois seria uma afronta à minha inteligência e a de vários leitores.

Os evangélicos não são a melhor classe do mundo, deixamos muito a desejar quando se trata de cobeligerar, conhece esta palavra? Cobeligerar é trabalhar junto e pelo bem comum, sem que para isso tenhamos os mesmos pensamentos individuais, ou seja, sou contra o aborto como 94% das pessoas desse país e muitas delas nem são evangélicas; sou a favor da caridade tal qual muitos espíritas, que fazem muito mais caridades do que nós, “crentes”; podemos nos unir para combatermos estas mazelas sem precisar brigar para que todos pensem igual ou tenham a mesma religião. Posso fazer ação social como você, mas você não pode querer que eu concorde com tudo que você faz, da mesma forma você pode fazer bem para a coletividade e isso não me dá o direito de querer que você pense exatamente como eu.

Esse é o mal da raça humana, falta de senso coletivo. O meu direito termina onde começa o do meu semelhante. Isso deveria ser primordial, então não seria mais necessário a criação de leis e mais leis, contemplando esta ou aquela camada social, bastaria apenas cumprirmos a constituição.

Seria melhor que os governantes fizessem do governo um mecanismo para tornar melhor a vida de todos, e não só dos que os agradam. Pois os governantes têm a obrigação de garantir a igualdade de direitos e não de privilégios a alguns. Contra isso é que eu luto e é isso que sempre farei para que minha voz seja ouvida.

Os homossexuais não vão às igrejas evangélicas porque o discurso que adotamos é frontalmente contrário ao que eles praticam, pois na igreja da qual sou pastor nunca ninguém foi colocado para fora ou abandonado sem ajuda, pelo contrário!! Espero conhecer você pessoalmente e pedir perdão se te feri, mas minhas convicções quanto ao reino de Deus não mudarão, e espero que este meu direito seja respeitado e nada mais.

Deus abomina o pecado, mas ama ao pecador! Graças pois a Deus e glórias a Ele eternamente, único e verdadeiro Deus.

Ubiratan Cássio Sanches - pastor, funcionário público e cidadão