08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

NOSSO LAR


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No ano de 1994, tive a felicidade do nascimento do meu filho, Rafael, dia 11 de julho, e alguns dias após, uma imensa tristeza, que foi receber a notícia, no dia 25 de julho, que a minha querida mãe, dona Josefa, tinha três meses de vida, pois estava com um câncer em estágio avançado. Em poucos dias, fui da alegria imensa de ver um filho nascer a uma tristeza profunda, de saber que perderia a pessoa que me deu a vida, a quem eu mais amava no mundo. Foram dias e noites difíceis, de muito sofrimento, quando você não consegue achar uma explicação e não consegue aceitar, de forma alguma, esses acontecimentos terríveis por que temos de passar.

Foi nessa época, logo após o falecimento de minha mãe, em novembro de 94, que um amigo me emprestou alguns livros espíritas e me disse que ajudaria a superar esse momento de dor que estava passando. Sou católico, nunca tinha acreditado na doutrina espírita, pelo pouco que sabia do assunto. Só posso dizer que aqueles livros que li foram como um bálsamo para as minhas feridas. Passei a entender melhor porque temos que passar por esses momentos de dor, que fazem parte de um processo maior criado por Deus, que é a nossa evolução.

Quando ia visitar minha mãe, lá no hospital, em São Paulo, via pessoas que, como ela, estavam com a doença, já em estado terminal. Eram crianças, jovens e velhos, pessoas de todas as idades, que também estavam sofrendo. Passei a entender melhor que nós não somos diferentes de ninguém. Todos estamos no mesmo processo. Apenas mudam as formas de como temos de passar pelas etapas da evolução, de acordo com nossas necessidades. Um desses livros que li era “Nosso Lar”, psicografado por Chico Xavier, através do espírito de André Luiz. Ele me fez um bem enorme, pois explicava, de forma clara, como seria a vida além túmulo, que continuava normalmente, pois nós somos eternos, apenas passamos para outra dimensão.

Essa semana fui ao cinema para assistir ao filme “Nosso Lar”, baseado na obra do Chico, e confesso que me emocionei muito ao lembrar daqueles dias de sofrimento por que passei na época do falecimento de minha mãe. Mas ao mesmo tempo, fiquei feliz por saber que ela está lá, ou em outro local semelhante, vivendo a sua vida no processo da evolução, que um dia nós nos encontraremos e ela irá me receber de braços abertos, me dar um abraço apertado e dizer, “meu filho, que bom que você voltou”.

Fernando Lobregat Matheus