Jaú, São Carlos, Amparo, Monte Alegre do Sul... As cidades paulistas que fizeram parte do ciclo do café são perfeitas para quem procura passeios que misturam cultura e história. Perto ou um pouco mais distante de Bauru, em muitas cidades ainda funcionam fazendas centenárias abertas à visitação - e capelinhas para se pedir todas as graças dos céus.
Algumas propriedades muito bem preservadas, outras nem tanto, mas que têm como diferenciais a arquitetura centenária, os imensos pomares, as casas grandes e a senzala. Para conhecê-las, o Guia da Secretaria de Esportes e Turismo do Estado de São Paulo elenca todas as fazendas paulistas que fizeram parte do Ciclo do Café.
Esse foi considerado o maior fenômeno agrícola do século 19, que transformou a economia e criou uma nova aristocracia, a dos barões do café. Homens que tinham imenso poder a ponto de transformar suas terras em verdadeiros palácios, com casa grande, senzala, plantações a perder de vista.
O dinheiro fruto das sementinhas era tanto que esses homens tinham a maior influência nos negócios e na política, sendo responsáveis pela modificação da paisagem urbana. Foram eles que colocaram as pessoas de sua escolha no poder, que construíram as ferrovias e edificaram catedrais...
Tereza Maria e Tom Maia, historiadores de Guaratinguetá, discorrendo sobre esse ciclo, detalham que “Com sua força, seu fascínio, seu poder, foram transferindo das fazendas para os maiores centros urbanos as casas de morada. Erguendo novos templos, aformoseando velhas igrejas, levantando teatros, requintando as festas, criando novas formas de lazer”.
As fazendas eram tão belas - e muitas ainda o são - que serviam para a hospedagem dos nossos imperadores. “Hotéis seis estrelas” no campo, com todo o requinte. Incluindo móveis, porcelanas e cristais europeus, lençóis do mais puro algodão egípcio, talheres de prata.
“Criou uma civilização sua, a “civilização do café” que, partindo do Vale do Paraíba, iria se estender por toda a Província e influenciar toda a vida nacional”, adiantam Thereza e Tom.
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Do passado ao presente
Terminado o apogeu do café, as fazendas permaneceram nos municípios que fizeram parte do ciclo econômico do grão, merecendo um olhar mais atento e visitações por uma época de grandes recordações.
Na região de Araraquara, destacam-se as fazendas Pinhal, Santa Maria e São. A primeira, cheia de jabuticabas e palmeiras imperiais, foi construída a partir de 1831 e tombada em 1981.
De arquitetura colonial, mobiliário Thonet de Almeida Prado, porcelanas personalizadas e utensílios que passaram por nove gerações da família, a fazenda, que até alguns anos funcionava como hotel-fazenda, hoje só recebe visitas agendadas (www.fazendapinhal.com.br).
A construção do grande sobrado nas terras da Fazenda Santa Maria, também em São Carlos, foi iniciada em 1887. Até hoje mantém o terreno de secagem, a grande tulha, o aqueduto que movia a roda d’água, gerando a sua própria energia, a senzala e os registros dos imigrantes.
A sede da Fazenda São foi construída a partir de 1876. Sempre pertenceu à família Camargo, que há cinco gerações administra as terras, conservando a sede com todo mobiliário, cristais e louças.
Em 1920 tornou-se a maior produtora de café da região, sendo que sua bebida suave era reconhecida internacionalmente. Mantém um terreiro de 12.500 m2 , a tulha, a serraria e uma mata nativa com 150 hectares, onde são encontradas fauna e flora de diversas espécies. Hoje a fazenda possui gado de corte, criação de cães de raça e agricultura diversificada.
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Na região
Colada com Bauru, Piratininga também vivenciou o período áureo do café, como testemunham as Fazenda América, São José e Bandeirante, que não oferecem hospedagem mas registram um passado de glórias.
Essa, última antiga propriedade da família Farha, tinha na época áurea do café cerca de 1 milhão de pés. A São José, com represa, tem toda a sua história voltada à produção de café e de gado de corte. A América tornou-se Fazenda Santo Antônio da Conquista.