10 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de Pescador: Os pássaros não têm fronteira


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Movido por meus pensamentos de ecologista empírico, pois aprendi a respeitar a natureza pela sua beleza e pela relação entre o homem e a terra para tirar dela seu sustento, andei centenas de quilômetros para me por diante das águas dolentes de um rio pantaneiro, onde uma brisa quente encrespa a mansidão das águas e faz minha imagem refletida me dar a falsa impressão que eu é que estou em movimento.

Moído pela viagem e ainda embevecido pelo panorama diante dos meus olhos, me senti incapaz de descrever a beleza que era muito maior que minha capacidade de compreensão. Era o primeiro fim de tarde nas margens do rio Paraguai, nos arredores de Corumbá e as terras bolivianas me roubavam o sol num crepúsculo cúprico, que tornava ainda mais belo o voo dos pássaros que buscavam abrigo nas restingas alagadas.

Foi aí que observei que os pássaros são como o capital: eles não têm fronteira. As garças lirial pareciam libélulas gigantes voando rente às águas.

Pequenas embarcações singravam o remanso e atracavam nos barrancos onde desembarcavam os nativos que vivem da pesca. Algumas chalanas, retornando dos passeios pelo Pantanal, devolviam aos atracadouros dos hotéis os turistas que não se dão conta da simplicidade, beleza e felicidade daquela gente que sente orgulho em ser habitante daquela terra, chamada por nós de pantanal.

Bateu em mim um sentimento de que ali o homem é mais feliz. É um sentimento verdadeiro, mas pode não ser duradouro, pois os usineiros já estão chegando.

Lázaro Carneiro é pescador e contador de histórias.