10 de julho de 2026
Internacional

Parlamento Europeu exige que a França suspenda expulsão de ciganos

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Paris - O Parlamento Europeu exigiu ontem que o governo francês “suspenda imediatamente” a expulsão de ciganos e expressou oficialmente sua “profunda preocupação” com esta política. A votação é mais um golpe contra o presidente Nicolas Sarkozy, que enfrenta impopularidade recorde em meio ao escândalo de doações ilegais da herdeira da L’Oréal e de oposição em massa da população a seu mais importante projeto de governo, a reforma do sistema de aposentadoria.

Com 337 votos a favor, 245 contra e 51 abstenções, o Parlamento aprovou a resolução proposta por socialistas, liberais, verdes e comunistas que censuram a política de Sarkozy e critica a “tardia e limitada” reação da Comissão Europeia.

O Parlamento lamenta ainda a “retórica inflamatória e abertamente discriminatória que marcou o discurso político durante a repatriação dos ciganos” e adverte que este tipo de política alimenta o racismo e as ações dos grupos de extrema direita.

O governo francês mandou cerca de mil ciganos de volta à Romênia e à Bulgária nas últimas semanas, como parte de medidas de combate ao crime e sob uma proposta de imigração. Sarkozy ligou os ciganos ao crime, chamando os campos em que alguns deles vivem de fontes de tráfico, exploração de crianças e prostituição.

Ministro francês rebate

O ministro de Imigração francês, Eric Besson, afirmou ontem que o Parlamento Europeu “ultrapassou suas prerrogativas” ao exigir que a França interrompa a expulsão de ciganos e disse que o país não mudará sua política. “Está descartada (a hipótese) de que a França suspenda as reconduções aos países de origem, sejam romenos, búlgaros ou outros cidadãos”, afirmou Besson, que está na Romênia, justamente para tentar justificar a política francesa.