O presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Antonio Mondellli Júnior, o Nico, informou que no próximo dia 21, vai abrir licitação para contratar empresa para fazer a coleta e a análise de águas superficial e subterrânea do aterro sanitário. Segundo o presidente, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) exige como rotina o estudo a cada seis meses para acompanhamento de possível contaminação no aterro. A medida foi adotada após o episódio da suposta contaminação por chumbo no local, levantada dentro da empresa no final do ano passado.
]Nico explica que até 2009 técnicos da própria Emdurb faziam a coleta do material em poços de monitoramento do aterro. As amostras eram enviadas ao laboratório da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, que fazia a análise. Porém, com as divergências em torno da confirmação ou não da alardeada suposta contaminação por chumbo, Nico decidiu que o serviço de inspeção seria terceirizado.
Em novembro do ano passado, a Emdurb, que na época era presidida por Rubito Ribeiro, colheu material que foi enviado à universidade. O resultado apresentou níveis de chumbo até 40 vezes acima do normal. A situação gerou desconfiança sobre a confiabilidade da análise. Ao invés de corrigir a distorção com o pessoal interno, o novo presidente preferiu criar a nova despesa.
Assim, no início deste ano, já com Nico na presidência, foi realizada nova análise pela Cetesb e por empresa contratada pela Emdurb, a Bioagri Ambiental. A contratada protocolou em junho laudo no órgão estadual, atestando que não havia contaminação por chumbo em 11 poços de monitoramento. Apenas um ponto apresentou o metal, porém em nível muito baixo.
A empresa vai insistir na contratação, agora por licitação para duas etapas de serviços. “A Cetesb exige análise periódica, a cada seis meses, de águas subterrâneas e superficiais, nesse caso, referente ao córrego que passa no entorno do aterro”, conta o presidente. Dessa forma, Nico anunciou abertura de licitação para contratar uma empresa que ficará responsável por recolher amostras e analisar o material a ser obtido em outubro desse ano e também em março do ano que vem.
A expectativa do dirigente é que cada serviço fique em torno de R$ 7 mil, que foi o valor cobrado pela Bioagri no primeiro trimestre desse ano. “Como o montante excede o valor permitido pela Emdurb para contratação direta, vamos abrir a licitação”, explica.
Pessoal interno
Nico defende a terceirização, alegando as especificações técnicas envolvidas no processo. “Vimos que qualquer fator pode alterar o resultado. Assim, teremos uma coleta feita dentro do novo padrão exigido pela Cetesb, que deve ser feita em baixa vazão. É um trabalho muito técnico e algumas coisas não têm jeito. É melhor contratar e fazer bem feito”, ressalta.
Mas ele afirma que atualmente o quadro técnico da Emdurb possui pessoal qualificado para a tarefa – como a própria gerente ambiental Flávia Souza, que é especializada em química. Porém, ele ainda assim defende a contratação.
“A Emdurb tem funcionários qualificados para fazer trabalho, até mais que anos anteriores. Mas prefiro contratar e não ter problema. É muito arriscado a análise de água. Depois que estudamos o serviço, vimos que é bastante complexo. Portanto é melhor uma empresa especializada fazer o trabalho”, pontua.
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Histórico
Em 19 de novembro de 2009, quando a Emdurb era presidida por Rubito Ribeiro, atual assessor de gabinete do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), a empresa realizou coletas da água dos poços de monitoramento do aterro e encaminhou o conteúdo para análise junto ao laboratório universidade.
No final de dezembro do ano passado, o estudo apresentou que estas amostras coletadas pela própria Emdurb continham níveis de chumbo até 40 vezes acima do normal. Em janeiro deste ano, Nico foi escalado pelo prefeito para o lugar de Rubito e tomou conhecimento do laudo. Porém, o resultado só foi revelado em março.
Diante da notícia, a própria Cetesb realizou novas coletas no aterro, divididas em duas etapas, em março e abril. Até hoje não se sabe o conteúdo dessas verificações. Nico também contratou empresa para analisar a água do aterro. Ele solicitou ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) que realizasse a análise em seu laboratório. A autarquia avaliou as amostras enviadas pela gerente ambiental da Emdurb, a química Flávia Souza, que foi alçada ao cargo durante a polêmica.
Segundo o estudo feito pelo DAE, havia presença de chumbo nas amostras coletadas, porém, dentro dos níveis aceitáveis. Mas o comando da autarquia decidiu não apresentar o relatório à Emdurb, pois provocaria confronto com análise efetuada pela Cetesb. Além disso, não seria respondido quais procedimentos foram utilizados no ato da coleta do material.
O resultado obtido pela Bioagri Ambiental e protocolado na Cetesb concluiu que em 11 poços de monitoramento não há contaminação por chumbo. Em um único ponto o produto aparece, mas em nível muito baixo. A dúvida recaiu sobre a coleta realizada em novembro de 2009, nas amostras que apresentaram grande presença de chumbo.