11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Venda de carros cresce 11% em agosto

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Nem mesmo o fim do período de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi capaz de reduzir as vendas de veículos novos em Bauru. Acompanhando uma tendência nacional, o emplacamento de automóveis na cidade cresceu 11% em agosto, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Entre os motivos que podem explicar o aumento mesmo com a volta do tributo estão os descontos oferecidos pelas montadoras, as facilidades de compra proporcionadas pelas concessionárias e o poder de consumo crescente da população.

Mesmo sem os incentivos fiscais implantados pelo governo federal para aplacar os efeitos da crise financeira internacional entre o fim de 2008 e março de 2010, foram comercializados 1.323 veículos em Bauru no mês passado, ante os 1.193 emplacados em agosto de 2009. No acumulado dos primeiros oito meses do ano, o saldo também é positivo, com total de 9.645 unidades vendidas, frente as 9.230 negociadas no mesmo período do ano passado, um crescimento de 4,5%. No País, o percentual de crescimento em 12 meses foi de 11,5%.

“O resultado de janeiro a agosto só não foi melhor porque houve um decréscimo nas vendas entre abril e maio, que foram os dois primeiros meses sem a isenção do imposto. Mas os reflexos dessa baixa já passaram e o ritmo está sendo retomado”, analisa Jorge Simão Neto, diretor de uma concessionária da cidade.

Mas, segundo José Antonio Rossini, diretor comercial de outro estabelecimento, agosto foi o segundo melhor mês do ano para o setor, atrás apenas de março, último mês em que vigorou a isenção da alíquota do IPI. E, como o desempenho no segundo semestre historicamente é melhor do que o primeiro, a tendência é de que vendas sejam ainda mais impulsionadas até o final do ano.

“O poder aquisitivo do brasileiro vem se firmando cada vez mais. E não apenas quanto ao consumo de veículos, mas viagens, por exemplo”, frisa, salientando que o setor automobilístico costuma funcionar como um termômetro da economia brasileira por ter participação significativa no Produto Interno Bruto (PIB).

Prova de que houve aumento na renda do bauruense é a saída cada vez mais intensa de carros de uma linha superior aos populares básicos com motor 1.0, que há quatro anos então representavam cerca de 65% dos veículos comercializados nas concessionárias de Bauru. “Agora, esses modelos são cerca de 40% da nossa demanda. Os clientes têm optado por veículos mais bem equipados e com motor 1.4 ou 1.6. É uma demonstração clara de que eles estão podendo gastar mais”, destaca o gerente de vendas de um estabelecimento do ramo, Fernando Vieira de Mello.

Além da economia aquecida, Simão Neto lembra que os números se mantiveram altos porque as montadoras – preocupadas em atender a alta demanda durante o período de isenção do IPI – aumentaram sua produção e, com muitas unidades em estoque, tiveram maiores condições de baixar os preços ao consumidor final. “Os preços dos modelos compactos continuam muito próximos aos da época de isenção de IPI. Já os modelos médios e grandes estão sendo comercializados sem nenhum acréscimo”, detalha.

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Facilidades

As concessionárias oferecem facilidades que vão desde carência de 150 dias para quitar a primeira parcela, taxas de juros de 0,99% ao mês até 60 prestações para pagamento de veículos novos. “Não me lembro de uma promoção como esta antes. Essa taxa tão competitiva só era oferecida para parcelamento em até 24 meses”, ressalta o gerente Fernando de Mello.

Atento a essas vantagens, o advogado Plínio Scriptore conseguiu trocar, há três meses, seu Ford Focus 2008 por um modelo atual. Com o dinheiro que obteve com a venda do carro antigo, deu 50% de entrada para a retirada do zero quilômetro e parcelou o restante em 24 prestações fixas. “Fiquei muito satisfeito com o negócio. O carro é lindo, confortável, ótimo para viagens longas. E, como vendi o que eu tinha, só vou gastar 20 mil para quitá-lo”, pondera.

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Novo recorde em 2010

Por conta da demanda que não pára de crescer, a cidade já ultrapassou a marca de 202,3 mil veículos emplacados. E a tendência é que este número continue crescendo exponencialmente, já que a previsão é de elevação de 10% nas vendas neste ano, em comparação ao ano passado, período em que o setor automobilístico registrou seu recorde histórico. “E, ao longo de todo o ano de 2011, é bem provável que a cidade emplaque uma média de 1.500 carros por mês”, acredita Isael Tuta Vitorino Ferreira, gerente de vendas de uma concessionária.

Segundo ele, os novos empreendimentos comerciais previstos para a cidade nos próximos anos, como a construção de dois novos shoppings, atrairá cada vez mais visitantes de cidades vizinhas, que se tornam clientes potenciais também das concessionárias de veículos locais. “Nos finais de semana, essas pessoas vêm passear na cidade e acabam passando pelas distribuidoras. Não se trata de preço menor, mas de surgimento de oportunidades de compra por conta dos outros atrativos que a cidade oferece”, frisa.