10 de julho de 2026
Geral

Estilo ‘largado’ da Geração A desafia decisões empresariais

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Eles são descompromissados, não têm metas, preocupam-se muito pouco com o futuro, querem viver o aqui e agora, não fazem questão da independência, não procuram se aprofundar em conhecimento e preferem a superficialidade por ser de consumo mais rápido. Eles são a Geração A, sucessora das gerações Baby Boomer, X, Y e Z.

Alguns inserem dentro desta geração todos os nascidos a partir 1993, enquanto outros preferem classificar como tal pessoas que têm esse perfil mais “largado”, no estilo “deixa a vida me levar”, independentemente da idade. O fato é que no mundo corporativo eles são vistos com cautela. Como lidar com um perfil tão volúvel sem causar prejuízos à empresa?

O consultor de gestão, qualidade e administração de pessoas Paulo Ricardo Mubarack é bastante crítico em sua opinião. Para ele, empregar um profissional da Geração A é o mesmo que rasgar dinheiro. Nesse caso, ainda por cima, a empresa terá de consumir muita energia para dar um jeito na situação. “Esta é uma triste realidade”, constata ele, que é presidente da Mubarack Consultoria, sediada em Porto Alegre (RS).

Ele sustenta sua avaliação na crença de que a maioria desses profissionais estudou em escolas ruins ou médias, eram maus alunos, portanto têm uma formação educacional deficiente, sabem pouco da língua portuguesa e menos ainda da língua inglesa e têm dificuldades em tarefas básicas porque carecem de fundamentos.

Para o consultor, normalmente são profissionais que passaram por empresas ruins, onde não aprenderam nada de importante, e quando chegam a um emprego melhor não conseguem se impor pelo trabalho e pela técnica e tornam-se funcionários medíocres. Mubarack chega a classificar o grupo como a “geração dos abobados”. “A Geração A desperdiça oportunidades, arrasa as próprias vidas e dilapida as empresas por onde passa”, sustenta.

Segundo ele, a expressão “abobados” denota um grupo de pessoas completamente despreparadas para as práticas mais simples do trabalho, como dar retorno de um telefonema ou anotar um compromisso na agenda. Uma forma de identificá-los, segundo o consultor, é usando as ferramentas de seleção e por meio de informações colhidas no mercado. “Submeta-os à pressão. Se eles se saírem bem, não são abobados”, disse ele ao JC por e-mail.

De acordo com a gestora de pessoas Gislaine Milena Casula Magrini, quando se fala em Geração A está se referindo aos jovens nascidos a partir de 1993. Portanto, são pessoas com aproximadamente 17 ou 18 anos, que estão iniciando suas escolhas profissionais.

Na avaliação dela, trata-se de uma geração que não está em busca da famosa “estabilidade”, que antigamente era o objetivo da maioria das pessoas que ingressavam no mercado de trabalho. Segundo Gislaine, da Ocupacional RH, de Bauru, essa geração talvez permaneça em uma empresa de um a dois anos. É um perfil de funcionários que as empresas ainda estão se preparando para lidar.

Em virtude dessas mudanças, Gislaine diz que as empresas de recursos humanos já estão encontrando candidatos nessa faixa etária que não estão habituados a uma seleção de pessoal demorada ou que tenham que ter muito “comprometimento”.

“E vendo essa mudança, nós profissionais de recursos humanos também precisamos estar em sintonia com a nova realidade para podermos promover algo diferenciado para esse público, que seja rápido e que desperte interesse”, comenta.

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Paciência com o novo

Dentro de um processo de seleção, é fácil identificar um exemplar da Geração A. “Geralmente, eles não se preocupam com a aparência ou postura diante da sociedade. A maioria busca informação, mas de forma superficial, não se aprofunda nos assuntos”, diz a gestora de pessoas Gislaine Milena Casula Magrini. Por isso, ganharam o rótulo de “geração abobada”. Para ela, um rótulo talvez injusto, cunhado pela falta de compreensão da sociedade sobre o que é realidade para essa geração.

Outra forma de identificá-los é nas entrevistas. “Nós marcamos a entrevista para um determinado horário e eles ou chegam atrasados sem justificar ou não comparecem.”

Ela confessa que ainda tem um pouco de dificuldade em lidar com isso. “Crescemos em uma sociedade que nos ensinou a cumprir os nossos compromissos. Mas, mesmo assim, entendo que temos que ser flexíveis para entender que eles são diferentes da nossa realidade.”

Quando acontece de comparecem a uma entrevista, a ordem é não descartá-los de forma alguma. “Se estão buscando um emprego, não podemos ser preconceituosos.” Gislaine sustenta que a flexibilidade é necessária. Se não for assim, como será o mercado de trabalho daqui há 10 anos?

“Os profissionais de hoje estarão se aposentando e a Geração A será o futuro. Se não tivermos paciência e abertura para aceitar o novo, como conviveremos com as gerações que ainda vão surgir?”, questiona.