09 de julho de 2026
Política

Cerrado poderá ser extinto até 2030

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Ontem foi comemorado o Dia do Cerrado. O bioma, típico de regiões tropicais, possui uma vasta biodiversidade e é considerado o sistema ambiental brasileiro que mais sofreu com a ação humana, principalmente pela agricultura, pastagem e o crescimento das cidades. Há previsões sombrias de sua extinção até 2030.

Bauru está inserida neste bioma. De acordo com o Inventário Florestal da Vegetação Natural, a região é a terceira do Estado de São Paulo com maior área coberta pelo cerrado. Na região há 29 mil hectares de cerrado, que passou a ser protegido por lei desde maio do ano passado.

Proteção legal que, apesar de muito bem recebida pelos ambientalistas, veio tarde. É exatamente esse problema que foi abordado em uma palestra ontem, completando o 2º Fórum de Ações Antrópicas e o Desafio da Sustentabilidade (Faads), sediado na Universidade do Sagrado Coração (USC) desde a última quinta-feira.

A palestra foi proferida pelo professor Silvio Motta Maximino e explicou como a devastação do cerrado pode trazer prejuízos ao meio ambiente. Segundo ele, a devastação do bioma é tão grande que especialistas projetam sua extinção para o ano de 2030. “Podemos olhar o Estado de São Paulo, por exemplo. Hoje, o cerrado ocupa apenas 1% da área total. Antes, este número era de 14%.”

E os prejuízos são grandes. “Além das baixas na flora e fauna, somente o processo de devastação do cerrado é responsável por um terço das emissões brasileiras de gases do efeito estufa. E esse número é só das queimadas. O bioma é a vegetação que mais sequestra carbono da atmosfera”, alerta.

Outro problema é em relação à água. A importância do cerrado é devido à presença de três das bacias hidrográficas do Tocantins-Araguaia, São Francisco e Prata, as três maiores da América do Sul. Porém, se os prejuízos são tão grandes, quais os motivos da contínua devastação? Maximino explica que os principais são a monocultura, a pecuária e o crescimento das cidades. E, apesar do cerrado estar mais protegido atualmente, sempre são levantadas questões econômicas para burlar as proteções. “Existe um mito de que, caso haja preservação, vai frear o progresso. O ideal é conciliar preservação e uso econômico. Isso pode e deve ser feito.”

Para finalizar as discussões sobre o tema, foi firmado ontem um compromisso de que serão plantadas 15 árvores no início de outubro, no entorno da lagoa da Quinta da Bela Olinda, todas nativas do bioma cerrado.

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Palestra discute bioenergia

Na manhã de ontem, além do cerrado, o tema bioenergia também foi debatido. O professor venezuelano Raul Andres Uribe falou sobre como ela pode auxiliar nos possíveis efeitos ambientais. Ele explica que a bioenergia é toda energia renovável que pode ser obtida da biomassa. Parcialmente, ela pode substituir os combustíveis fósseis, amenizando o efeito estufa.

A principal fonte de bioenergia brasileira é a cana-de-açúcar e, na palestra, foi listada uma série de vantagens da utilização do produto. “Além do lucro, a implantação da energia pela cana pode gerar uma auto-suficiência energética das usinas e a venda de créditos de carbono. Toda essa implantação pode ser feita entre 24 e 30 meses.”

Segundo as projeções, o professor ainda expõe que, em 2020, a produção de bioenergia proveniente da cana-de-açúcar corresponderá a de duas usinas de Itaipú.

Entre as fontes de energia alternativa, Raul Uribe explicou que a eólica - por meio do vento - e a solar são as mais positivas, uma vez que são totalmente “limpas”. Porém, segundo ele, tanto o vento quanto o sol não são fatores que podem ser controlados pelo homem, o que dificulta o processo.

Uribe ainda aponta que o Brasil precisa percorrer um longo caminho na temática e exemplifica a Alemanha, que segundo dados apresentados na palestra, em 2009 já tinha 16,1% da energia total do país proveniente de fontes alternativas e espera atingir 100% até 2050.