Londres - A Igreja Católica da Bélgica reconheceu ontem os “erros do passado” na gestão de abusos sexuais de crianças por sacerdotes e disse querer tirar lições do ocorrido.
Os comentários, feitos pelo arcebispo belga, Andre-Joseph Leonard, são resposta ao relatório divulgado na sexta-feira passada que apontou 475 denúncias de pedofilia ocorridos nos últimos 50 anos.
Leonard disse que a conclusão das investigações, feitas por comissão independente, geraram “um sentimento de raiva e de impotência” na igreja do país.
Ele se comprometeu a prestar mais atenção às vítimas e anunciou planos de um centro de reconciliação.
“O relatório e o sofrimento que ele contém nos fizeram tremer”, disse. “Dos erros do passado, queremos aprender a lição necessária.”
A investigação destaca que ao menos 13 vítimas suicidaram-se por causa dos abusos, que envolviam sexo oral, anal e masturbação. A maioria dos casos relatados ocorreu nos anos 60 e 70.
O papa Bento XVI expressou sua “dor” em relação à investigação, disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. “Naturalmente, o papa sente muita dor depois da publicação de um relatório que revela mais de uma centena de testemunhos de vítimas de abusos sexuais.”
O relatório foi o mais recente golpe contra a Igreja Católica, atingida desde 2006 por denúncias de abusos na Irlanda, Alemanha, Áustria, Holanda e EUA.
Papa no Reino Unido
Bento XVI chegará na quinta ao Reino Unido para visita de quatro dias para cumprir agenda que valoriza temas políticos e apostólicos - aquecimento global e diálogo com a Igreja Anglicana -, mas dificilmente escapará dos escândalos de pedofilia que, ao explodirem, têm marcado seu pontificado.
O papa visitará a Escócia e a Inglaterra. Não irá, contudo, à Irlanda do Norte, província britânica em que católicos (40%) e protestantes mantêm frágil acordo de paz. Mas que foi sobretudo contaminada pelo barulho provocado na vizinha República da Irlanda, com a demissão de bispos e a punição de clérigos acusados de abuso de menores ou acobertamento.