08 de julho de 2026
Pesca & Lazer

Peixe amazônico é opção no mercado de couros exóticos


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A pele dos peixes amazônicos, geralmente descartada no ambiente ou em lixões, surge como opção para o mercado brasileiro de couros exóticos. A iniciativa é incentivada pela Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas por meio do projeto Ame o Amazonas (AMA), com a grife Iódice. O material também está na mira da empresa gaúcha Péltica, que trabalha com couros exóticos e é especializada no couro de peixes há três anos.

“Já trabalhamos com o couro de peixes marítimos do Maranhão e do Pará. No Amazonas, além de evitar a poluição, podemos ganhar com uma matéria-prima nobre’’, afirma Alexandre Frasson, sócio na empresa.

A Péltica pesquisou e testou em seu curtume a pele de diferentes peixes da região. Por enquanto, foram aprovadas como insumo as do aruanã e do tucunaré.

A pele de algumas espécies, como a pirarara, é mais resistente que a bovina, de acordo com Nilson Luiz Carvalho, coordenador do Projeto de Beneficiamento de Couro de Peixe do Instituto de pesquisas da Amazônia (Inpa).

Além disso, o insumo é abundante. Atualmente, segundo o instituto, uma tonelada de pele de peixe é desperdiçada por dia no Estado.

Na coleção de inverno da Iódice, apresentada na São Paulo Fashion Week, em janeiro, o couro de peixe amazônico foi utilizado para a confecção de bolsas, de cintos e de sapatos. Os produtos foram bem aceitos pelos consumidores da marca, segundo Alexandre Iódice, coordenador de estilo da Iódice Denim. Os preços variam entre R$ 180,00 e R$ 900,00.

Cadeia produtiva

Entre os planos do governo do Estado e da Iódice está a criação de uma cadeia de beneficiamento de couro de peixe no Estado. “Nós fomos desbravar o mercado. Agora a ideia é sempre manter (esses produtos nas coleções), então voltamos a fazer um trabalho de desenvolvimento. Eles (os produtores locais) poderão fornecer para qualquer indústria’’, explica Iódice.

Ele destaca, além da sustentabilidade, o impacto positivo do desenvolvimento da atividade na geração de recursos para o Estado e para os produtores locais. Se o mercado local der garantia de abastecimento do insumo, a Péltica abrirá uma filial no Amazonas.

De acordo com Frasson, o investimento para a instalação de um curtume com capacidade de processamento diário de 5 mil peles, incluindo o tratamento de efluentes, é estimado em cerca de R$ 2,5 milhões.

Para incentivar os produtores, a empresa já realizou um curso que os ensinou a processar a pele de peixe. Para ter valor comercial, o material deve ter 30 centímetros e não pode ter furos.

Também foram apresentadas as técnicas de curtume para a sua conservação, já que, enquanto não há filial no Amazonas, o transporte até a indústria gaúcha será feito em caminhão.

De acordo com Carvalho, o Inpa já havia tentado desenvolver a atividade na região. “Não vingou porque os produtores não quiseram fazer investimentos.’’

Porém, ele acredita que o envolvimento de empresas interessadas no produto “era o que faltava’’ para estimular a produção local.

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Índios guarani fotografam reserva na Serra do Mar

Coletivo fotográfico dos Índios Guarani, da Reserva da Boracéa, em Serra do Mar, expõe até 2 de outubro fotografias na galeria do auditório Simón Bolívar, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

A exposição, chamada de “Arandú Porã – Fotografia Guarani” e sob curadoria de Bruno Schultze, mestrando em poéticas visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), é fruto de projeto financiado pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, realizado durante o primeiro semestre de 2010.

O workshop de fotografia na aldeia veio ao encontro do chamado dos Guarani, que se encontram em processo de aproximação do restante da sociedade brasileira. A fotografia serve como veículo para essa aproximação.

Os 12 índios selecionados para o workshop fotografaram sua reserva, sobreposta em parte ao Parque Estadual da Serra do Mar. Mostram nas fotos o profundo respeito que têm pelo meio ambiente, salientando sua espiritualidade.

As imagens propõem uma nova relação com a natureza, calcada na reverência de seus ciclos, respeito à fauna e à flora, no cuidado com a água abundante e cristalina da região.

• Serviço

“Arandú Porã – Fotografia Guarani”. Galeria do Auditório Simón Bolívar, no Memorial da América Latina. Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664, ao lado do Metrô Barra Fundo, em São Paulo. Mais informações no site www.memorial.sp.gov.br.