10 de julho de 2026
Rural

Clima favorece safras de trigo do Mercosul


| Tempo de leitura: 3 min

As safras de trigo 2010/11 do Mercosul se desenvolvem bem até o momento e indicam uma oferta satisfatória especialmente para o Brasil, o segundo importador mundial do cereal, segundo especialistas.

O Paraná, que produz quase 60% do trigo do Brasil, já colheu cerca de metade da safra prevista em 3,1 milhões de toneladas (ante produção de 2,5 milhões em 2009/10), e os lotes colhidos têm animado os produtores.

“No norte e oeste do Estado, temos tido trigo com boa qualidade e boa produtividade”, afirmou o agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), Otmar Hubner, funcionário da Secretaria de Agricultura.

Ele observou que essas áreas já colheram cerca de 80% da produção esperada. A colheita no sul do Estado ocorre normalmente mais tarde.

As condições secas no Paraná colaboram para garantir uma boa colheita nas lavouras em maturação, diferentemente do que ocorreu no ano passado, quando chuvas em excesso aumentaram a incidência de doenças fúngicas, afetando a qualidade de boa parte da produção.

A colheita nacional está oficialmente estimada em 5,4 milhões de toneladas, contra 5 milhões de toneladas no ano passado, que teve grandes volumes de um cereal de baixa qualidade, em função da elevada umidade.

No Rio Grande do Sul, que junto com o Paraná responde por cerca de 90% da safra nacional, a situação também é favorável até o momento, embora o Estado tenha reduzido a área plantada em cerca de 10%.

“A expectativa é boa, as lavouras têm bom estado sanitário até agora... Tivemos chuvas em setembro. O quadro é bastante animador, tanto em termos de rendimento como de qualidade”, comentou o agrônomo Ataides Jacobsen, da Emater, órgão de assistência técnica do governo gaúcho.

A colheita no Rio Grande do Sul, que planta mais tarde que o norte e oeste do Paraná, deve começar na segunda semana de outubro.

A mesma chuva que beneficiou o trigo gaúcho atingiu o cereal na Argentina, o principal produtor do Mercosul e maior fornecedor do Brasil, informou o Ministério da Agricultura do país vizinho no início da semana.

Maior oferta

E os argentinos, que sofreram com seca nos últimos dois anos, deverão garantir a oferta adicional no Mercosul este ano, segundo fontes do mercado no Brasil.

Fala-se em uma safra argentina 10/11 entre 12 e 14 milhões de toneladas, contra uma produção de 9,6 milhões de toneladas em 09/10, de acordo com estimativa do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA)

“O Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai, excluindo o Brasil) vai ter um saldo exportável de 7,8 milhões de toneladas (em 2010/11). E o Brasil terá necessidade de importar 4,5 milhões de toneladas”, disse o responsável pelas compras de um importante moinho brasileiro.

Assim, frisou ele, o bloco teria mais de 3 milhões de toneladas para oferecer para outros países da América do Sul ou mesmo para o Egito, maior importador mundial, que tem sondado o mercado argentino.

A oferta adicional deverá vir justamente da Argentina, notou a fonte que prefere ficar no anonimato. E a se confirmar a grande safra nacional e também a dos países vizinhos, o Brasil pode encontrar algum alívio em uma temporada que promete preços mais altos, necessitando comprar menos no hemisfério norte, em negócios que geralmente saem mais caros para a indústria.