11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Diaristas têm salário de até R$ 1,2 mil

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Faz tempo que o mercado de trabalho tirou as mulheres de dentro de casa e criou uma enorme demanda por empregadas domésticas, que passaram a realizar as tarefas antes desempenhadas pelas donas do lar. Mas nunca essas profissionais, em especial as que atuam como diaristas, foram tão valorizadas como agora.

Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto a inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 3,1% no primeiro semestre deste ano, os preços dos serviços domésticos subiram 7,62% no período.

Em Bauru, diaristas - que costumam ter renda maior que empregadas com carteira assinada - chegam a ganhar R$ 1.200,00 por mês, salário que se equipara a muitos cargos que exigem formação em nível superior.

E é esse o montante que recebe a jovem Josimara Tavares de Assis, 28 anos, que chega a cobrar R$ 65,00 por uma faxina em um imóvel grande, R$ 10,00 a mais do que cobrava no ano passado.

Ela trabalha de segunda a sexta-feira e, em alguns dias da semana, faz a limpeza de mais de um imóvel - geralmente apartamentos pequenos, mais fáceis de limpar e cada vez mais comuns, onde moram no máximo três pessoas.

“Faço isso há quatro anos. Antes, trabalhava de doméstica, mas precisava ganhar mais”, frisa ela, que tem salário superior ao do marido, um fundidor que trabalha com carteira assinada. O casal possui dois filhos pequenos e, junto, já conseguiu comprar um terreno e financiar um automóvel.

Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a renda média das trabalhadoras domésticas subiu entre 35% e 47% nas principais capitais brasileiras nos últimos 10 anos. Em São Paulo, 31% dessas mulheres exercem a função de diarista.

Tendência

Na avaliação do economista Wagner Ismanhoto, o aumento salarial da categoria maior do que o nível da inflação é uma tendência que vem se verificando nos últimos anos em funções específicas como a de domésticas e trabalhadores da construção civil, que sempre foram pouco valorizadas, mas que demandam qualificação de mão de obra atualmente escassa no mercado.

“São pessoas que tinham um nível salarial menor, mas que ao longo dos anos vêm obtendo uma reposição maior que a média da inflação e do que a média das outras profissões de nível salarial maior. Marceneiros, pedreiros e carpinteiros também estão sendo muito valorizados”, pontua.

De maneira indireta, o setor da construção civil, impulsionado pela facilidade de financiamento imobiliário, também foi responsável pelo aumento da demanda por diaristas e domésticas com carteira assinada, já que, quanto mais casas e apartamentos são construídos, mais oportunidades de trabalho são criadas para elas.

“E, cada vez menos, a mulher tem tempo para cuidar da casa, então precisa contratar esse tipo de profissional. Mas a empregada que trabalhava em troca de meio salário mínimo já não existe mais. A demanda que se criou fez com que os aumentos no valor desses serviços fosse constante”, analisa.