11 de julho de 2026
Nacional

Ensino médio do Nordeste está dez anos atrás do Sudeste

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Em 2009, a proporção de adolescentes de 15 a 17 anos no Nordeste que frequentavam a série adequada para sua idade era inferior a registrada pelo Sudeste dez anos antes, diz o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ano passado no Nordeste, apenas 39,2% dos jovens nesta faixa etária estavam no ensino médio. Na região Sudeste, eram 60,5% em 2009 e 42,1% em 1999.

Para o IBGE, a desigualdade regional na educação é preocupante. “A situação da educação no País sempre foi muito frágil, e a gente vê como é difícil melhorar”, afirma Ana Lucia Saboia, gerente de Indicadores Sociais. “Mesmo com todas as melhoras sociais, a educação avança devagar”, completa.

Segundo o IBGE, é esperado que a educação evolua mais lentamente, pois depende de políticas públicas nas diversas esferas de governo e do tempo necessário para que os ciclos sejam concluídos pelos alunos.

José Francisco Soares, da Universidade Federal de Minas Gerais, pondera que o indicador que mede a adequação do aluno à série depende das outras fases de escolarização. “Esse indicador é muito exigente. Para que se esteja com 15 anos no ensino médio não pode ter havido nenhum problema na vida: atraso no ingresso, repetência ou abandono da escola.”

De acordo com o especialista, ainda há um “estoque de problemas a resolver” até que a disparidade diminua. “Existe um percurso a seguir. Cuidar do acesso, da permanência na escola e da conclusão dos ciclos de ensino. E também do aprendizado, da qualidade do que se aprendeu.”

Mão de obra preparada

A analista do IBGE lembra que os períodos de crescimento econômico reforçam a necessidade de qualificação do jovem.

Em todo o País, a escolarização dos adolescentes entre 15 e 17 anos ainda não está universalizada: 14,8% deles estavam fora da escola no ano passado. Em 2008, eram 15,9%. Já a escolarização das crianças de 7 a 14 anos se universalizou a partir dos anos 1990. Em 2009, 98,1% delas frequentavam instituições de ensino.

O IBGE ainda aponta que menos da metade dos jovens no mercado de trabalho tem ensino médio.

De acordo com a pesquisa, 40,7% dos jovens de 18 a 24 anos que trabalhavam ou procuravam emprego tinham, em 2009, 11 anos de estudo; 15,2% tinham ido além desse nível escolar.

Dez anos antes, 21,7% desse grupo tinham 11 anos de estudo e 7,9% haviam frequentaram a escola por um período superior a esse.

Analfabetismo

A pesquisa do IBGE mostrou que o analfabetismo entre jovens de 15 a 24 anos foi de 1,9% em 2009. Isso significa, segundo o instituto, que a taxa está praticamente erradicada para essa faixa etária. “Há dois fatores se encontrando: a escola para todos a partir da década de 90 e a queda da taxa de natalidade no Brasil”, diz Rose Neubauer, ex-secretária da Educação em São Paulo.