08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

TRABALHANDO SOB PRESSÃO


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Imaginem uma panela de pressão sob as cuidadosas mãos de uma abnegada cozinheira. Ela sabe o momento exato de tirar tal explosivo do fogo, quando deve colocar a tal bomba debaixo d’água, evitando sua explosão e fazendo com que dali saiam coisas maravilhosas, bem cozidas, no momento exato, saciando nossa fome. Tem quem saiba trabalhar sob pressão e tem quem na primeira investida abre a panela, provocando danos irreversíveis, não só na panela, mas em todo o seu entorno.

Escrevo isso metendo o bedelho em algo ocorrido aqui em Bauru nesta semana. Um secretário, o dos Negócios Jurídicos de Bauru, foi demitido sem ser comunicado (viajando de férias ao exterior), sem qualquer tipo de apuração da comprovação de ter cometido alguma irregularidade, pelo simples fato de os vereadores da cidade fazerem biquinho e exigirem tal atitude. Para acalmar os exaltados ânimos, o prefeito reuniu-se a portas fechadas com esse seleto grupo e demitiu o secretário.

Imediatamente vereadores vieram a público, sorridentes, afirmando a normalidade ter sido restabelecida, pois foram atendidos e, assim sendo, dariam prosseguimento em projetos de interesse do município.

Estavam empacados, tal burros xucros, esperando o tal torrão de açúcar na boca para prosseguirem viagem. Perigoso demais isso, pois procedendo assim uma vez daqui para frente quaisquer probleminhas exigirão o procedimento corriqueiro. Na sequência, os mesmos vereadores já estão pedindo a cabeça de um assessor de Gabinete do prefeito pelo fato deste ter dado apoio ao demitido.

Entendo que o tal secretário agia de forma estranha, tendo atuado como advogado de empresa acionada na justiça pela Prefeitura e hoje a mesma requer altos juros de dívida de um viaduto inacabo no centro da cidade.

Porém, fritá-lo de imediato não foi prudente e com o agravante dele não ter se defendido, e só ter tomado conhecimento da demissão quando uma emissora de rádio ligou para ele. Demonstra não existir confiança na sua ilibada atuação. E quando assumiu o cargo, a cidade toda sabia que havia sido advogado daquela empresa. Aceitar pressões de vereadores é vê-los todos como verdadeiros donos da horta. Sua função é fiscalizar, não exigir.

Vejam uma comparação simples de procedimento no oposto disso. A capciosa revista Veja, em reportagem da semana passada levanta suspeitas de envolvimento de filho de uma ministra em forjado escândalo, algo requentado e sem provas. Suspeitas levantadas ao léu em véspera de uma eleição presidencial. Interesse mais do que claro.

Pois bem, líderes da oposição pediram de imediato, em alto e bom som, a cabeça da ministra. O presidente Lula, dentro da sua serenidade, exige apuração imediata dos fatos e a manteve no cargo até poderem tomar a decisão em conjunto. Por fim, a ministra foi exonerada, mas de comum acordo e para facilitar apuração das ditas denúncias. Cedendo sempre às imediatas pressões, políticos passam a pecha de terem aberto a panela de pressão antes da hora, provocando um estrago irreparável.

Henrique Perazzi de Aquino