09 de julho de 2026
Política

Coffani quer rediscutir o plano de segurança

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Candidato a deputado estadual pelo PDT, o geógrafo e advogado Kláudio Coffani avalia que é preciso rediscutir o investimento em segurança feito em São Paulo, pelo prisma da paz positiva. Ele também ressalta que o inchaço da cidade de São Paulo acabará determinando o deslocamento da capital política do Estado para a região central da unidade federativa.

Coffani destacou que caso eleito, irá dedicar boa parte do início de seu mandato estruturando suas ações. “Vamos identificar programas de governo que possam beneficiar Bauru na área de saúde, educação, fomentar esses grupos de atuação e fixar parcerias com o município”, destaca. Coffani também criticou a postura dos dirigentes da cidade quando o governo trouxe para Bauru o regime semi-aberto.

Jornal da Cidade - Na primeira entrevista ao JC, o senhor falou a respeito da possibilidade de trazer a capital do Estado para o interior. É viável?

Klaúdio Coffani - Eu sou geógrafo, tenho mestrado em planejamento regional em assentamentos humanos e uma das coisas que pude explicar em artigo no JC foi que o processo de transferência da capital do Brasil, do Rio de Janeiro para Brasília, começou quase 130 anos antes de ser efetivado. Na Constituição de 1891, a primeira do País, já constava que a capital deveria mudar. E eu falo que a capital política de SP vai se deslocar para o Interior. A região central onde Bauru se localiza propicia identificar algum lugar onde se defina uma área para a sede política do Estado. Na cidade de São Paulo, em 10 anos a velocidade média dos carros cairá para 15 km/hora. Hoje, as pessoas passam 27 dias por ano presas em engarrafonamento. São Paulo vai travar, pois os investimentos em transporte público são pífios. Já temos uma fuga de empresas para a região de Campinas, São José dos Campos, essa fuga vai pela Castelo branco e começa a beneficiar Bauru. A gente vê o conflito cotidiano da administração na questão política, econômica, social. Essa preocupação com o problema de hoje é importante. Mas como se concentram só nisso, se pegarmos os jornais de 15 anos, veremos que os problemas são os mesmos. É preciso também planejar o futuro. Por conta disso, falo que o processo histórico vai fazer que a capital política saia de São Paulo e vá para o Interior. Como parlamentar, vou participar dessas discussões. Mas ao trazer uma capital para Bauru, corre-se o risco de derrubar a qualidade de vida daqui. É necessário um processo de cinco, dez ou 15 anos de planejamento.

JC - Na questão do desenvolvimento de Bauru? A cidade não deveria estar em outro patamar nesse ponto?

Kláudio Coffani - De Bauru, vou e volto para São Paulo no mesmo dia, para Ribeirão Preto, Londrina. A cidade está localizada num ponto efetivamente estratégico. O empresário ao pensar num ponto para instalar o seu empreendimento, observa isso. A localização é fundamental. A capacitação e a qualidade da mão de obra é outro atrativo. Temos dezenas de milhares de estudantes, presença de água. Possuímos um monte de fatores favoráveis, mas inegavelmente, o Legislativo e o Executivo devem explorar melhor isso. Enquanto Bauru oferece cinco atrativos, outros municípios oferecem 15. Nisso, a cidade sofreu por vários pontos. A falta de líderes, como Alcides Franciscato foi na década de 70, e a série de governos problemáticos na década de 90, deixaram a municipalidade sem recurso, com o nome sujo para obter recursos na esfera federal. Bauru ficou literalmente órfã.

JC – Na questão da segurança, um batalhão exclusivo para a cidade resolveria o problema?

Kláudio Coffani – Não. A segurança deve ser pensada de outro modo. O policial precisa ser melhor remunerado. Temos a melhor polícia do País, mas pessimamente remunerada. Um cidadão que tem como profissão vestir uma farda e sair por aí para coibir o crime não pode ser abandonado. Não podemos deixar de investir na formação desse profissional que pode dar a vida pela segurança das pessoas. Atualmente temos duas polícias distintas no País e acho que devemos iniciar uma discussão para analisar a possibilidade de integrá-las. Temos a paz negativa, que é essa que investe em armas, viaturas, coletes e que não melhora a situação geral da segurança pública. Investe em violência para coibir violência. Já a positiva, investe em capacitação, remuneração e inteligência policial. Uma das coisas a ser trabalhada é rediscutir e gradativamente forçar esses aprimoramentos. Como ocorreu com o regime semi-aberto. A cidade era contra, o governo do Estado veio como um rolo compressor, a nossa Câmara se apequenou, nosso prefeito não enfrentou, nosso deputado muito menos e Bauru que tinha duas unidades de segurança máxima sem facção, passou a ter semi-abertos e presos de facção.