Antônio Carlos Barbosa, candidato do PDT à Câmara dos Deputados ressalta que se eleito não fugirá de discussões sérias do Congresso e lutará para que temas que hoje estão emperrados deslanchem, como as reformas tributária e política. Sem perder seu foco no desenvolvimento do esporte, Barbosa defende a fiscalização do uso de recursos públicos nas obras para a Copa do Mundo, que será realizada no país, em 2014 e nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.
Para ele, é necessário investir na base. O candidato ressalta que o eleitor está mais consciente, mas sente a falta de divulgação. “A maior dificuldade que sinto é meu nome chegar ao eleitor. Onde meu nome chega é bem aceito e quase não há rejeição”, ressalta.
JC – Com quais questões pretende se envolver no Congresso?
Barbosa - O deputado federal tem que se envolver em discussões nacionais do momento, como a da PEC 300, a PEC 55. Mas em outros assuntos, temos que acelerar esse processo. E um deles é a reforma política, que é uma forma de nivelar as campanhas com o financiamento público. Hoje você vê campanhas completamente em desacordo com o patrimônio declarado pelos candidatos. E quem investe em candidatos ou está retribuindo algum favor ou está esperando alguma coisa em troca na frente. E tem as coalizões. Temos partidos que se aliam ao PSDB em São Paulo, porque o Alckmin claramente saiu como favorito, e em nível federal, a Dilma, porque todo mundo sabia que o candidato do Lula teria grandes chances. Isso demonstra a total falta de princípios éticos desses partidos. Temos candidatos a deputado que o seu partido tem candidato a governador, mas apoia outro. Isso mostra que muitos candidatos usam o partido como meio para atingir o mandato, sem identificação nenhuma com as legendas.
JC - E como seria essa reforma?
Barbosa - Tem que ser de cima para baixo. A fidelidade partidária já foi um avanço. O mandato realmente tem que ser do partido. Lógico que não quer dizer que com isso você vá se submeter totalmente o que o partido determina. Mas o que não pode ser permitido é que as coligações estaduais sejam diferentes das nacionais. Senão, teremos partidos franksteins.
JC – A reforma tributária também está parada.
Barbosa - O governo não pode penalizar tanto o assalariado. Com essa carga que começa com o Imposto de Renda tomando parte de um assalariado que ganha pouco mais de R$ 1 mil.
JC - E como forçar essas reformas, paradas a tanto tempo?
Barbosa - Alguém tem que começar a forçar. As pessoas podem dizer que o Barbosa tem muita pretensão, mas você não pode chegar lá e ser mais um. Não pode entrar num Congresso Nacional numa situação de subserviência e de humildezinho que vai ficar lá esperando alguém te enxergar. Não nasci para ficar no fim da fila. É muito interessante observar a postura e o perfil de seu candidato. Tem que se impor. Tem que mexer, começar a desonerar a folha de salários das empresas. Isso já penaliza, pois faz o preço final de produtos subir. Uma proposta, por exemplo, é isentar moto-táxi do IPI, como é feito com os taxistas, já que o mototaxista é uma profissão regulmentada.
JC – Caso eleito, pegará uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. Como você vê o orçamento disso?
Barbosa – O Brasil vai gastar muito com estádios para a Copa. Gastar com três ou quatro, tudo bem, mas serão estádios em Cuiabá, Manaus, Belém, Recife, Salvador, Curitiba. E tem que ter muita fiscalização em relação a essas obras. Já tivemos sérios problemas no Pan-americano, como licitações emergenciais para uma coisa que já estava programada há oito anos, equipamentos comprados e não foram utilizados. Temos de nos preocuparmos com a política esportiva. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cada R$ 1,00 gasto em esporte, se economiza R$ 6,00 na saúde. Temos municípios de porte, como Bauru, por exemplo, que só agora terá uma pista de atletismos, no estádio distrital Edmundo Coube. Não temos uma piscina municipal olímpica ou semi-olímpica. Vamos implantar, em parceria com os municípios, uma estrutura física mínima em todos as cidades do Brasil. Não acho justo uma criança não ter nem como detectar seu talento, sua aptidão para o Esporte, por não tem sequer um equipamento de esporte perto dele. Os municípios com mais de 200 mil habitantes deverão contar com pista de atletismo, quadras e espaço multiuso para cultura e esporte. Mas caberia aos municípios a contrapartida de contratar profissionais especializados nessas atividades.