11 de julho de 2026
Internacional

Pelotão dos EUA matava ‘por esporte’, informa jornal


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Cabul - Cinco soldados norte-americanos são acusados de matar três civis afegãos, além de desmembrar cadáveres e fotografá-los, na Província de Candahar, no Afeganistão. As autoridades militares não comentaram o caso, mas uma reportagem do “Washington Post’’ de ontem afirmou que os assassinatos foram cometidos “por esporte, por soldados que tinham apreço por haxixe e álcool’’.

As conclusões do jornal são fruto da análise de relatórios oficiais e de entrevistas com envolvidos nos casos. Segundo o texto, as mortes começaram a ser planejadas em dezembro, após a chegada do sargento Calvin Gibbs, 25 anos, apontado como líder de um “grupo de extermínio’’.

A primeira morte teria ocorrido em 15 de janeiro. O “Washington Post’’ relata que, nessa data, o civil afegão Gul Mudin andava na direção do pelotão quando um soldado, Jeremy Morlock, 22 anos, atirou uma granada no chão e fingiu estar sendo atacado. Seu companheiros começaram a atirar. Mudin morreu.

O pelotão estava no local para garantir a segurança durante o encontro entre oficiais norte-americanos e anciãos de tribos afegãs.

Em conversa pelo Facebook, o soldado Adam Winfield relatou o assassinato a seu pai, que procurou as autoridades militares dos EUA para denunciar o caso. Segundo ele, os repetidos alertas foram ignorados. Um sargento com quem seu pai falou, segundo a reportagem, disse não poder fazer nada a não ser que o próprio soldado relatasse o ocorrido a seus superiores.

Oito dias depois do aviso, o pelotão teria assassinado mais um civil, em 22 de fevereiro. Nessa ocasião, segundo relatos oficiais, o soldado Michael Wagnon estava em posse de um crânio - mas não se sabe se o osso pertencia a uma das vítimas. Os registros apontam o assassinato seguinte em 2 de maio, com uma granada arremessada e tiros disparados contra o clérigo afegão Mullah Adahdad.

Um dos acusados, nesse caso, é o próprio Adam Winfield. O advogado da família alega que o rapaz recebeu ordens de atirar no clérigo, mas errou o disparo de propósito.

Os supostos envolvidos nesse e nos demais assassinatos negam as denúncias, por meio de advogados e familiares. Há também outros sete acusados de crimes relacionados ao caso, incluindo uso de haxixe e tentativas de impedir as investigações.