11 de julho de 2026
Articulistas

Jovem aos 88 anos, o rádio

João Moretti Jr.
| Tempo de leitura: 3 min

Ouvir o discurso presidencial e a ópera pelo alto-falante assombrou a multidão e centenas de outras pessoas. Aquilo parecia coisa de mágicos ou milagre. Assim teve início o veículo que completa 88 anos e, como outras mídias de massa, sofre mutações persistentes de modernização e com acesso facilitado. Fonte de entretenimento, diversão, vendas e companheirismo trava ferrenha briga para manter-se importante diante das inúmeras opções tecnológicas no conceito de fonte de referência de informação. O futuro do rádio ainda pode nos parecer incerto, a valorização do cidadão é peça fundamental, é pelo rádio que ainda expressa-se suas opiniões e conceitos. Não adianta emissoras se isolarem, produzir uma programação elitizada, o ouvinte continua fiel àquela rádio que o considera e atenda aos seus objetivos, como o do esclarecimento e opções de programação – mesmo com muita semelhança entre umas e outras.

Então qual o motivo do ouvinte optar por uma rádio e não por outra, qual o segredo? Será o hábito, rotina, falta de opção, entre outros pontos, mas a pergunta persiste: o que motiva o ouvinte a sintonizar essa e não aquela estação? Questões desse tipo são debatidas face às dificuldades em “vender” o rádio como opção publicitária, estimular o pensamento parece que ficou difícil por parte dos radiodifusores ou dirigentes.

O locutor em sua forma de se comunicar é relevante, linguagem e jeito geram fidelidade, apesar da maioria possuírem técnicas e expressões semelhantes, alguns de forma sensacional conseguem mais que outros, mas não elucida o questionamento sobre a audiência fiel. As programações são semelhantes, praticamente iguais, com exceção das emissoras segmentadas.

Existem emissoras com milhares de ouvintes por minuto, por quê? Será a qualidade da programação? A resposta não são as músicas, mas o que está entre elas, o fator humano e a proximidade aos ouvintes possa ser a maior vitória sobre fidelidade e audiência.

A comodidade na facilidade em ouvir e consumir, comparada às outras mídias, demonstrou que a Internet o expandiu, ele se adaptou, ultrapassou barreiras ao ponto de uma pequena rádio comunitária possa ser ouvida em todo o planeta. Audiência que pôde atrair ouvintes e segmentos para uma fidelidade, mesmo àquelas que estão somente na Internet.

Talvez a melhor resposta sobre fidelidade e audiência esteja num conjunto de valores fundamentais para a realização plena dessa mídia. As pessoas necessitam das idéias, valores defendidos, mais que uma ótima programação e sim um contexto que as atinja, seja com música, informação ou esporte. Tem que investir em relacionamento humano – realçado por valores e formas de expressão, identificação – elucidar o debate, a divergência positiva e outros fatores presentes no dia-a-dia. Mesmo ocasionando polêmicas salutares e espontâneas, necessitamos dessa fonte de mídia com variados conteúdos em nosso dia-a-dia.

Emissoras que adotarem a proximidade dos ouvintes podem resultar numa marca, ocupar a mente deles com mais facilidade, em comparação com as concorrentes – elas se sobressaem. Conquistam posicionamento melhor com inovação, possuem potencial, além de um pensamento integrado faz ampliar a força e a grandeza do rádio.

O que nos resta é questionar é a maneira de conquistar a audiência e a fidelidade da juventude, com tantas opções tecnológicas, como trazer esse segmento para o hábito de ouvir rádio diariamente? Resumindo: como fazer os jovens a criarem o hábito de ouvir uma estação de rádio? A resposta, em breve, talvez...

O autor, João Moretti Jr., é mestre em Comunicação e colaborador do Jornal da Cidade