10 de julho de 2026
Polícia

Golpe da troca de cartões faz vítimas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

O golpe não é novidade, mas ainda faz vítimas em Bauru. Dentro de uma agência bancária, o correntista tenta efetuar uma operação no caixa eletrônico e é abordado por um desconhecido que oferece ajuda. Sem perceber a ação do estelionatário, a vítima tem o cartão trocado e vai embora. Em questão de minutos, o criminoso efetua movimentações na conta para obter o máximo de dinheiro possível.

Vítima do golpe na última sexta-feira, um aposentado de 73 anos demorou três dias para perceber a troca do seu cartão de crédito e perdeu R$ 2.995,00. Segundo o que descreveu em depoimento prestado no Plantão Policial, ele foi alertado na tarde de ontem pela gerente do banco sobre movimentações atípicas nos últimos dias.

Ele havia ido ao banco pela última vez na sexta-feira, quando teve dificuldades para concluir um depósito de R$ 200,00. Uma rapaz que vestia calça azul marinho e camiseta branca se apresentou como funcionário e disse que poderia ajudá-lo. A vítima, então, forneceu o cartão ao golpista, que fez a transação e, depois, entregou o cartão de outra pessoa ao aposentado. O estelionatário não entregou o comprovante do depósito ao correntista, que só percebeu a troca do cartão dias depois.

Alertado pela gerente, ao retornar à agência, na rua Primeiro de Agosto, no Centro, o senhor constatou a realização de um empréstimo no valor de R$ 1.970,00, um débito de R$ 825,00 e descobriu ainda que os R$ 200,00 não foram depositados em sua conta.

Situação semelhante viveu um jovem de 20 anos na manhã do último domingo, quando tentava efetuar uma transação com o cartão de crédito em um terminal de auto-atendimento de uma agência bancária localizada na rua Gustavo Maciel, também na região central. Sem sucesso, ele também contou com a ‘solidariedade’ de um desconhecido e acabou tendo o documento trocado mas, até ontem, ainda não havia informado à polícia se já havia sido lesado financeiramente.

De acordo com o tenente Fernando Queiroz, comandante da Base Comunitária de Segurança Centro, o golpe da troca de cartões é apenas uma variação das inúmeras práticas criminosas que acontecem dentro ou nas imediações das agências bancárias. “Não é uma ocorrência rotineira, mas ela existe. A última vez que houve um registro como este foi há cerca de um mês e meio”, frisa.

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Artimanhas

No último golpe da troca de cartões registrados em Bauru até então, em maio deste ano, um homem de 69 anos perdeu R$ 730,00 depois de fazer um saque em um caixa eletrônico de banco. Após a transação, dois indivíduos o abordaram e pediram que ele colocasse novamente o cartão no caixa para cancelar uma operação. Quando retornou para retirar um extrato, percebeu que eles haviam trocado os cartões e concluído dois saques - de R$ 650,00 e R$ 80,00 - sem que a vítima houvesse informado senhas.

“Em todos os casos, são oportunistas que oferecem ajuda e, quando não clonam o cartão, conseguem fazer com que a própria vítima informe a senha. Eles trocam o cartão para enganar a vítima e ganhar tempo para conseguir fazer os saques. Em meia hora, conseguem concluir o golpe”, destaca Fernando Queiroz.

Conforme lembra o tenente-coronel Nelson Garcia Filho, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior, há também um caso de um golpista que efetuou saques no valor total de R$ 1.500,00 utilizando um cartão que a vítima teria perdido dentro da agência. “A pessoa derrubou o cartão no chão, não percebeu e foi embora. O estelionatário aproveitou a oportunidade, fez o saque e depositou em outra conta ali mesmo. Toda a ação foi filmada e o caso está sendo investigado”, salienta.

Como são muitas as artimanhas empregadas pelos estelionatários para ludibriar suas vítimas e conseguir dinheiro fácil, a orientação é estar sempre alerta ao frequentar agências bancárias. Aposentados e idosos, que geralmente têm mais dificuldade para manusear equipamentos eletrônicos, devem ter atenção redobrada, principalmente nos primeiros dias do mês, quando ocorre a maioria dos pagamentos de benefícios e salários.

“Eles só devem aceitar ajuda de funcionários do banco, que estão sempre identificados com colete, crachá e uniforme da empresa. Por mais bem intencionado que um desconhecido aparente ser, o melhor é não fornecer o cartão ou qualquer outra informação sobre sua conta”, salienta Queiroz.