São Paulo - A gestão Gilberto Kassab (DEM) decidiu ampliar a área de restrição aos caminhões para a região do Morumbi. A medida, anunciada ontem, busca atenuar um efeito colateral do veto aos veículos pesados na av. dos Bandeirantes e marginal Pinheiros. Desde que ele passou a ser fiscalizado, no último dia 2, caminhões migraram para vias das zonas oeste e sul, sob protesto de moradores.
A nova proibição deve atingir ao menos quatro corredores importantes: Morumbi, Giovanni Gronchi, Guilherme Dumont Vilares, Jorge João Saad e sua extensão, Jacob Salvador Zveibil. Os moldes serão semelhantes aos da marginal Pinheiros e Bandeirantes, onde, nos dias úteis, os caminhões não podem rodar das 5h às 21h - exceção aos veículos pesados de até 6,3 metros (VUCs) e a algumas atividades.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) dará um período de adaptação antes de multar, mas não divulgou ainda a data de início. O objetivo da gestão Kassab é, de novo, empurrar veículos pesados ao Rodoanel.
Moradores alegam que a restrição aos caminhões em algumas vias do Morumbi não resolve os problemas, porque eles só tendem a migrar novamente para outras. “Quando aperta de um lado, estufa do outro”, diz Celso Neves Cavallini, presidente do Conseg do Portal do Morumbi, para quem a solução é liberar a marginal Pinheiros. Um temor dele, por exemplo, é que a rua Dr. Luiz Migliano receba veículos da Guilherme Dumont Vilares.
Há queixas também contra caminhões na av. Cupecê. “A prefeitura dá um tiro e depois quer correr atrás da bala. Há caminhões que precisam abastecer a cidade e terão que buscar outras vias”, diz Manoel Sousa Lima Jr., presidente do Setcesp (sindicato das empresas de carga).
O setor pressiona a prefeitura para que as restrições na marginal Pinheiros se limitem das 7h às 10h e das 17h às 20h. Ele alega haver desabastecimento em Santo Amaro.
A gestão Kassab está inclinada a abrir mais exceções para atenuar descontentamentos. O sindicato dos condutores de cargas próprias ameaça parar a categoria e bloquear vias no começo da semana que vem se não houver a liberação do transporte de caçambas e basculantes.