Brasília - O governador do Distrito Federal, Rogério Rosso, decretou ontem situação de emergência devido ao incêndio que consumiu pelo menos um quarto da área do Parque Nacional de Brasília. Pelo decreto assinado ontem, bombeiros e Defesa Civil poderão, por 60 dias, comprar equipamentos sem licitação para o combate às chamas, cuja fumaça podia ser vista ontem do centro da cidade - a 10 km de distância.
O fogo, iniciado anteontem na Granja do Torto, fora do parque, pode ser tornar o mais grave já registrado na área de conservação, devido à velocidade de propagação.
Em um dia as chamas “andaram” 20 km, queimando 10 mil dos 42 mil hectares do parque. No incêndio mais grave no local até agora, em 2007, o fogo levou cinco dias para atingir 30% da área. “As chamas de domingo à noite tinham 20 metros de altura. Não havia condição de combater um negócio desses”, disse Amauri de Sena Motta, diretor da unidade.
Conhecido como Água Mineral, o parque é um dos principais pontos turísticos locais, devido a piscinas de água corrente. É a principal reserva de cerrado da cidade. Abriga espécies de mamíferos como o lobo-guará e o tamanduá-bandeira e aves como seriemas e gaviões.
A reportagem presenciou ontem uma revoada de pássaros e insetos fugindo de um dos quatro focos de incêndio que 340 bombeiros e 50 brigadistas do Instituto Chico Mendes, responsável pelo parque, tentam conter.
Nos cerca de 20 minutos que a reportagem passou no local, chamas baixas que lambiam o capim da estrada foram transformadas pelo vento em labaredas altas avançando parque adentro.
O vento forte e a seca criam a fórmula perfeita para os incêndios no cerrado, que nesta época do ano são sempre provocados.