Em resposta à carta de Adilson Motta, publicada no dia 16/09/2010, quem tem poder aquisitivo para adquirir um bichinho de estimação em uma casa de ração ou pet-shop, tem também condições de cuidar muito bem do mesmo.
Como cuidador de animais abandonados (tenho quase 30, entre cães e gatos), vejo que o maior problema que enfrentamos é a de animais abandonados em nossa cidade, e com experiência digo que a maior evidência de maus tratos são de animais adquiridos por doação, e de pessoas que assumem a guarda do animal por não terem outra opção.
Concordo com uma parte de sua carta, dizendo que as fêmeas deveriam ser castradas, mas acho que isso é dever de quem compra, pois o filhote pode ser tirado da mãe com 45 dias de vida e, para castrá-lo, tem que se esperar 180 dias depois de nascido.
Agora, quanto à denuncias, temos agora em Bauru uma delegacia especializada em denúncias contra maus tratos, mas eles não têm como recolher esses animais, pois não têm para onde levá-los. A maioria das denúncias vai parar nas mãos das ONGS de Bauru, onde certa parte não tem canis próprios e dependem de cuidadores como eu para socorrer nossos amigos de 4 patas. E como cuidador, informo que estamos sem espaço físico para acolher mais animais abandonados, eu e a maioria dos cuidadores de nossa cidade, que fazem dos pés à cabeça para dar o melhor para nossos bichinhos.
A melhor solução não é praticar a denúncia, como você diz em sua carta, e sim cada um de nós acolher um bichinho abandonado. Se cada um fizesse sua parte, não teríamos essa situação degradante que ocorre hoje.
A mesma capacidade que uma pessoa tem para denunciar, serve também para acolher.
Cabe agora ao nosso poder público tratar destas questões: para onde irão os animais recolhidos pela delegacia dos animais? Por que o Centro de Zoonoses sacrifica os animais ao invés de tratá-los? (Os animais recolhidos pela delegacia poderiam ir para lá!) Porque o Centro de Zoonoses não tem um veterinário?
Falar e denunciar é fácil, agora quero ver as pessoas encararem a situação como fazemos, e colocar a boa vontade em prática! Faça a sua parte, povo bauruense! Adote um animal abandonado! Mas adote com amor, e não como obrigação!
Vinicius Burda