Nova York - Em cúpula da ONU sobre as Metas do Desenvolvimento do Milênio, em Nova York, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu ontem a criação de um imposto global que incida sobre as movimentações financeiras. O dinheiro resultante seria destinado para a concretização da segunda parte do programa da ONU voltado para a promoção dos oito objetivos do milênio estabelecidos em 2000. Sarkozy, ao propor a elaboração do imposto solidário ou social, deu uma guinada à esquerda.
Nos últimos dias, seu governo foi alvo de críticas ferrenhas, comparado até mesmo ao nazismo, por ter expulsado os ciganos, a maioria advinda de Bulgária e Romênia, do território francês.
“Por que não pedir às finanças que contribuam para estabilizar o mundo?”, perguntou o francês no encontro. A ideia de elaborar um dispositivo financeiro em escala global que atue em favor do equilíbrio social não é nova.
O economista americano James Tobin, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1981, propôs, no começo dos anos 70, a criação de um imposto com alíquota calculada em 0,1% que fosse aplicado sobre todas as transações financeiras realizadas diariamente no mundo.
Com a oposição dos EUA e das principais economias, a ideia não avançou. Se fosse levado em consideração o tamanho do atual sistema, utilizando a alíquota proposta por Tobin, a arrecadação poderia chegar a US$ 170 bilhões por ano. Um ano de tributação geraria o valor para a segunda parte das Metas do Milênio.