A maturidade de um homem aliada à inocência de um menino cheio de estilo próprio. Assim fica fácil definir o bauruense Igor Ozzy Nishikawa Cirilo, de 8 anos. O garoto foi selecionado, através de uma agência de modelos de São Paulo, para estrelar no filme “Tainá 3 - A origem”, com estreia prevista em janeiro de 2011, interpretando o índio Gobi, ao lado de atores renomados como Guilherme Beringer, Gracindo Júnior e Nuno Leal Maia.
Quando questionado se gostou de ser ator, o menino diz que sim. Entretanto, Igor, que traz Ozzy no nome e é fã do cantor de rock Ozzy Ousbourne, quer mesmo é ser baterista. “Eu gosto de tocar guitarra e bateria. Gostei muito de ser ator, mas quero mesmo é ser baterista”, desabafou.
O filme
O filme “Tainá 3 - A origem” foi gravado no Balneário Alter no Chão, em Santarém, Estado do Pará.
Descendente de japoneses, moreno, de cabelos longos castanho-escuros e lisos, Igor logo encheu os olhos dos produtores do filme para preencher a vaga do índio Gobi.
“Eu inscrevi o Igor há um ano em uma agência de modelos de São Paulo e ele já tinha feito algumas participações em DVDs infantis e propagandas. Em abril desde ano, ele foi aprovado nos primeiros testes e começou o treinamento”, relatou a mãe Roberta Nishikawa, que acompanhou toda a trajetória do menino. No treinamento, além de aprender a atuar, Igor tinha aulas de fonoaudiologia para que pudesse aprender o sotaque paraense, facilmente percebido quando Igor fala. “Esse sotaque que ele tem hoje, o Igor trouxe do filme. Ele aprendeu a falar assim para as gravações e adotou o sotaque”, conta Roberta.
A maratona estava apenas começando, mas Igor estava pronto para a aventura. No dia 24 de maio, ele e a mãe embarcaram rumo a Santarém para dar início às gravações. “Eu achava superlegal. A gente acordava bem cedo, mas depois também tinha tempo para brincar.”
Igor ainda tinha que aprender um pouco mais a fundo sobre a vida indígena. “Eu aprendi a remar na canoa, a atirar com o arco e flecha e a ter uma postura diferente. Era muito legal. Aprendi também a fazer expressões faciais diferentes. Tinha hora que eu ficava bravo e logo ficava feliz”, relembra, mostrando como fazia as expressões.
E as características físicas? Para ficar mais forte, Igor teve que fazer aulas com uma personal trainner. O alargador, característica marcante dos índios, não foi problema para Igor, que já possuía o adereço. “Eles só colocaram aquela madeirinha. Também tinha que fazer maquiagem e pintura no corpo com jenipapo. Eles pintaram meu cabelo de preto e cortaram um pouco”.
O garoto relata que a cena mais cansativa foi a que ele ficou preso em uma jaula. “Eu era o filho do cacique, um guerreiro honesto e ficava preso em uma jaula. Ficamos muito tempo nessa cena. Tinha uma cena também que eu voava no balão e o helicóptero passava baixinho para gravar”, acrescentou. Em pleno período escolar, Igor não poderia deixar a escola. A produção do filme disponibilizou uma professora particular para dar aula às crianças que faziam parte do elenco. “Eu estudava com a professora e gravava, mas depois adorava nadar no rio”, ressalta Igor.
As gravações terminaram no dia 25 de agosto, mas o tempo em que permaneceu em Santarém, Igor Ozzy também aproveitou para passear e ficar mais perto da natureza. “Alimentei um boto cor-de-rosa. Pude ver de perto o gato do mato, o macaco guariba, a preguiça real, o peixe boi, cutia, araras e até peguei uma jiboia”. E, para mostrar que não se trata de história de pescador, Igor mandou a foto, que estampamos nesta página.