09 de julho de 2026
Nacional

Pessoas relatam sufoco, calor e medo nos trens

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

São Paulo - A falta de ar e o calor em excesso tomaram conta dos trens parados na linha mais movimentada do metrô paulistano. Não demorou para que passageiros tentassem sair da “lata de sardinha”. No meio da bagunça instalada pela falta de orientação, pessoas quebraram vidros de vagões para seguir a pé pelos trilhos. Muito passaram mal.

Uma grávida de quatro meses teve colapso nervoso. Um lixeiro teve convulsões. A gestante Cristiane Harimi Arima, 32 anos, reclamou da demora do socorro: “Só me atenderam após todo mundo sair da estação, duas horas depois.” Levada ao hospital, ela teve alta em seguida.

Com um protetor cervical no pescoço e um soro na mão, o lixeiro Nelson Pesqueira da Silva, 33 anos, ainda em observação, lembra dos momentos de aflição. “Com aquela confusão, fui ficando sem ar e depois não me lembro de mais nada. Perdi o celular e roubaram minha carteira quando desmaiei.” Ambos estavam viajando pela linha suspensa sobre a avenida do Estado, entre as estações da Sé e Pedro 2.

A professora Áurea Maria Martins, 44 anos, estava em um trem que também passava pelo trecho suspenso, relata a situação dentro das composições: “O vidro estava 100% fechado. Desligaram o ar condicionado. Começou a ficar um calor, todo mundo passando mal, o suor pingando na gente. Foi quando quebraram as portas.”

Quem aguardava nas plataformas também sofreu. Na estação Tatuapé, Jorge Eduardo, 52 anos, professor e bancário, reclamou da falta de orientações. “Estava dentro da plataforma, às 8h05, já tinha gastado o valor da condução, quando me avisaram que eu não poderia embarcar. Não deram explicações.”

Nas ruas, a bagunça se repetia. Pessoas que conseguiam deixar o metrô brigavam para entrar nos ônibus.