11 de julho de 2026
Política

Na web, candidatos focam voto caseiro

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 8 min

O debate entre os candidatos a deputado federal por Bauru, realizado ontem, possibilitou ao eleitor conhecer um pouco mais do que cada um pensa sobre temas variados. Também deu indicativo do que pretendem realizar na Câmara dos Deputados, se eleitos.

Os primeiros seis postulantes a uma cadeira na Câmara sabatinados ontem, de modo geral, afirmaram que pretendem lutar em Brasília pelos interesses da região e do Estado. O debate promoveu a interação entre o eleitorado, que conheceu online o pensamento dos homens que desejam suplantar a lacuna de uma representação efetiva para Bauru no Congresso há pelo menos 16 anos.

Pela ordem de sorteio, momentos antes do início da transmissão, definiu-se a sequência de respostas com Antônio Carlos Barbosa (PDT), Carlos Octaviani (PP), José Leme (PTN), Saulo Carvalho (PSOL), Ricardo Oliveira (PTB) e Paulo Sérgio Martins (PSTU). Na primeira rodada de perguntas, as candidaturas responderam sobre temas diferentes. Barbosa falou que irá enfrentar a questão de uma reforma fiscal, principalmente, com relação à implementação de propostas que isentem de taxação produtos da cesta básica.

Como é praxe nas manifestações do ex-prefeito de Agudos Carlos Octaviani, o Carlão, questionado sobre o dinheiro que vem para os municípios para a Saúde, ele definiu como “vergonhosa” a remessa de recursos da União. Sobre desmatamento, Leme defendeu uma maior fiscalização por parte do governo federal com mais profissionais. Carvalho diz que trabalhará para aumentar os investimentos para educação, primeiro atuando para derrubar o veto do governo FHC ao Plano Nacional de Educação, que prevê mais dinheiro para investimentos no setor.

Oliveira falou da questão do tratamento de esgoto em Bauru lembrando a existência de recursos junto ao governo federal e que o problema, também, pode ser solucionado com uma Parceria Público Privada (PPP). Ele entende que apenas com os recursos do fundo municipal para tratamento de esgoto serão necessários alguns anos para resolver a questão do esgoto. Martins sugeriu que o governo federal pode subsidiar moradia para as 18 mil pessoas que residem em favelas em Bauru, com locação de imóveis no mercado imobiliário local.

No terceiro bloco, os candidatos responderam questões formuladas pelos editores do JC Aurélio Alonso, de Regional, e Nelson Gonçalves, de Política. Barbosa lembra que o eleitor está com repulsa a políticos devido aos inúmeros escândalos. Defendeu a ficha limpa, a denúncia e a punição dos corruptos.

Ao comentar questão formulada por Nelson, Octaviani se disse favorável a projetos que tramitam no Congresso limitando as denúncias feitas por representantes do Ministério Público que promovem acusações, às vezes, sem fundamento.

Leme defendeu o voto distrital misto, apesar de saber que será difícil trabalhar pela proposta no Congresso. Carvalho comentou a questão sindical, posta por Nelson, defendendo a posição de seu partido. Ele é favorável a uma reforma sindical que privilegie os interesses do trabalhador. Quanto à proposta de extinção da Justiça do Trabalho, ele é contrário pela especificidade de alguns temas.

Sobre o financiamento de campanhas eleitorais apenas com dinheiro público, Oliveira respondeu, a Aurélio, que entende que o sistema de prestação de contas atual é bom, pode ser aprimorado e que a proposta de usar somente dinheiro público precisaria ser aprofundada pelos partidos.

Questionado por Nelson sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos, em especial do direito de propriedade, Martins defendeu a luta pela terra travada pelos movimentos sociais. Quanto ao toque de recolher para menores, o candidato se manifestou contrário pela limitação aos jovens.

Quinto bloco

O quinto bloco privilegiou as perguntas enviadas previamente por webespectadores por e-mail até o terceiro bloco do debate. Renato Cardoso, direto da redação do JC, endereçou as perguntas de internautas a Barbosa sobre o desenvolvimento das Unesp e USP, ambas com campus em Bauru. Barbosa completou afirmando que trabalhará pela instalação em Bauru de uma universidade federal na cidade, devido inclusive às dificuldades enfrentadas pelas universidades estaduais na cidade. Octaviani destacou que prioridade para Bauru e região recursos para a área de infraestrutura urbana. Citou a escassez de verbas nos cofres da Prefeitura de Bauru para dar conta da demanda no município. Na Saúde, defendeu recursos para ampliar o atendimento. Na educação, ele disse que irá pleitear a criação do curso de medicina em Bauru, um tema antigo e sempre recorrente.

Leme tratou da questão da aplicação de verbas vindas da União e que necessitam de uma maior fiscalização da aplicação, como na Saúde. Carvalho disse não ser contrário a forasteiros que conquistam votos na região, desde que a candidatura tenha compromisso com os interesses e necessidades da região. Em questão parecida, Oliveira defendeu o esforço para se eleger um candidato de Bauru e que seu partido entendeu que a região estava dotada de boas candidaturas à Assembléia Legislativa de São Paulo, não lançando em Bauru candidato a deputado estadual.

Martins ressaltou a necessidade de uma atenção especial na preparação dos jovens para o mercado de trabalho para se evitar sua exploração.

Vale destacar que as perguntas não respondidas durante o debate serão encaminhadas às assessorias dos candidatos.

No sexto bloco, as candidaturas foram novamente sabatinadas pelos jornalistas. Barbosa defendeu, em relação ao tema Previdência Social, que o contribuinte não pode ser penalizado. É contrário ao fator de redução e entende que o valor da aposentadoria precisa manter os níveis do período de contribuição. Octaviani respondeu, sobre uma modificação dos pedágios, que é “vergonhoso” o valor cobrado nos pedágios paulistas, ainda que defende a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). “Não aceito esse assalto que se faz em uma viagem daqui a São Paulo. Entendo a necessidade e vamos brigar para mudar”, definiu.

Leme tratou da questão de vinculação e desvinculação de recursos para a Saúde, perguntado por Nelson, entendendo que o governo federal, o Senado e a Câmara têm que enfrentar uma reforma. “Temos que procurar uma solução”, frisou.

Carvalho, questionado por Aurélio sobre a questão da criminalidade, propõe a prevenção, melhoria da educação, condições de igualdade e o investimento nos profissionais que atuam na área de Segurança, ao invés apenas de uma política de repressão ao crime.

Em questão sobre meio ambiente formulada por Nelson, Oliveira citou que muitas áreas podem ser usadas para agropecuária preservando as reservas legais e com apoio ao produtor para que não tenha que avançar em áreas de preservação.

Ao tratar da questão do aborto, formulada por Aurélio, Martins defendeu a posição do PSTU favorável e citou que é uma tema de saúde pública e que necessita de investimentos do governo, e não do segmento privado da saúde. “Quantas clínicas particulares estão fazendo aborto, morrendo gente e o Estado não está nem aí com a situação”, pontuou.

No último bloco, os candidatos tiveram dois minutos para suas considerações finais.

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Debate hoje

A partir das 20h de hoje, debatem Carlos Braga (PSDB), Darcy Rodrigues (PDT), Raul Gonçalves de Paula (PV), Roque Ferreira (PT) e Toninho Garms (PSB). O debate entre candidatos a deputado federal é uma iniciativa do JCNET, em parceria com a TBR Produções e a Renato Cardoso Comunicação Digital, com a chancela do JC.

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Clima amistoso entre os candidatos e assessores

O clima dos candidatos antes do primeiro dia de debate realizado ontem pelo Jornal da Cidade, em parceria com a TBR Produções e a Renato Cardoso Comunicação Digital, era bastante amistoso.

Todos recebiam as últimas instruções enquanto se arrumavam em seus devidos lugares. A ordem dos candidatos foi selecionada por meio de um sorteio que ocorreu minutos antes do início do debate.

Porém, ao passo que o começo da transmissão se aproximava, o clima de tranquilidade começava a dar lugar ao nervosismo comum para a situação e, assim, todos conferiam mais uma vez suas anotações, rabiscando mais uma ou outra informação relevante.

Do lado de fora, em um espaço reservado, ficaram assistindo ao debate, em um telão, cerca de 25 assessores dos candidatos participantes. O clima entre eles também era bastante amistoso.

Quando questionados sobre a falta de animosidade entre os concorrentes, os assessores garantiram ser por uma relativa falta de concorrência direta, ou seja, como são candidatos a deputados federais, eles não disputam uma vaga necessariamente entre si.

Ao decorrer do debate, os assessores assistiam a tudo atentamente e anotavam em seus cadernos. Questionados sobre o que tanto escreviam, eles explicaram que são alguns pontos que podem ser corrigidos de um bloco a outro e até mesmo questões posturais a serem melhoradas.

Nos intervalos, eles tinham acesso aos candidatos e, enquanto alguns somente falavam que estava tudo correndo bem, outros cochichavam informações que pareciam ser totalmente secretas. Apesar do clima amistoso, o fato relembrava lutas de boxe, onde, entre um round e outro, os treinadores passavam informações aos seus atletas.

Em um dos intervalos, houve a participação via web de pessoas nos Estados Unidos. Os assessores se impressionaram com o grau de interatividade apresentado e se mostraram satisfeitos com a organização.

Em relação ainda ao processo de interatividade, a assessoria de um dos candidatos trouxe inclusive um notebook para acompanhar em tempo real os comentários que eram postados e, desse modo, pode passar um retorno imediato a ele.