10 de julho de 2026
Polícia

Nem alarme e vigia inibem ladrões em escola da prefeitura

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Sistema de alarme, vigias, grades e cadeados. Nada parece intimidar a ação dos criminosos que têm as escolas municipais de Bauru como alvo quase que diário. Em média, 10 delas são furtadas a cada mês, em muitos casos repetidas vezes ao longo de um mesmo ano.

Por conta da alta incidência deste tipo de crime, a prefeitura providenciou a instalação de dispositivos de segurança nas unidades consideradas mais problemáticas, mas a medida não parece estar sendo suficiente para reduzir os índices. O episódio mais recente foi registrado no último final de semana, quando dois homens invadiram o berçário da Escola Municipal de Educação Infantil Integrada (Emeii) Márcia Andaló Mendes de Carvalho, que fica no Parque Roosevelt, durante a madrugada.

Depois de saltarem o alambrado e arrombarem uma porta, mesmo com o alarme disparado, eles levaram dois carrinhos de bebê, um micro-ondas e um liquidificador da escola. Como se não bastasse, horas depois, quando um vigia já havia sido acionado para cuidar do local, eles retornaram, renderam o funcionário e ainda roubaram um aparelho de DVD, um aparelho de som, fraldas descartáveis, bichos de pelúcia, toalhas e outros objetos de higiene pessoal. Ambos fugiram sem deixar pistas.

Segundo a diretora da escola, Sandra Ângelo Rodrigues, está é a “quarta ou quinta vez” que a escola é furtada somente neste ano. As ocorrências se tornaram tão corriqueiras que as tentativas frustradas de furto deixaram de ser registradas em boletim de ocorrência (BO) pela escola. “Registramos o BO porque trata-se de furto de patrimônio público. Mas em nenhuma das vezes os responsáveis foram encontrados. A coisa (investigação policial) acaba não funcionando nesses casos. A gente fica sem respostas”, destaca.

Como entrave para a localização dos criminosos, a titular da Secretaria Municipal de Educação, Vera Caserio, aponta o silêncio da vizinhança, que prefere não se manifestar por medo de represálias. “Eles preferem se preservar e não comentam nada, quando a gente pergunta. Realmente é complicado para eles. Mas, como o furto ocorre em questão de minutos, ninguém além deles consegue saber o que aconteceu. Quando a polícia ou o vigia chega, os invasores já fugiram”, avalia.

Sem solução

De acordo com o Setor de Vigilância da Prefeitura Municipal, das 70 escolas municipais, 42 possuem alarme e 56 possuem vigilância, esta última realizada em sistema de rodízio, de acordo com a incidência de furtos em determinadas épocas do ano. Como medida adicional de segurança, Vera aponta ainda que vigilantes realizam rondas externas nas unidades.

“Em muitas escolas, como é o caso da Márcia Andaló, existem grades de ferro nas janelas e portas, cadeado, alarme, vigia. A gente não sabe mais o que fazer. Quando os bandidos querem entrar, eles simplesmente entram”, analisa.

Segundo ela, as instituições localizadas em bairros periféricos – como é o caso da Emeii Márcia Andaló, que fica na alameda Demóstenes, no Parque Roosevelt - são as mais atingidas. Embora não admita, as Emeiis também constam como alvo preferencial dos criminosos, conforme ocorrências que têm sido divulgadas seguidamente no JC.

Vera explica que a secretaria terá de adotar novas medidas para coibir a criminalidade, de preferência em parceria com a Polícia Militar (PM), que poderá traçar um perfil dos criminosos que tem invadido as escolas. “Não são aventureiros. Ele sabem o que estão fazendo, pesquisam na Internet como desativar a linha telefônica, sistemas de alarme e conseguem levar o que quiserem”, revela.

Por conta do profissionalismo dos invasores, ela acredita que, para que o trabalho conjunto com a PM surta efeito, seria necessária a aplicação de penas mais severas para este tipo de crime. “Acredito que, num futuro muito próximo, o prefeito tomará a atitude que for possível para esses casos. Mas acredito que nosso sistema Judiciário também precisa ter leis mais rigorosas para contornar essa situação”, frisa.

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Crianças têm rotina alterada após furto

A rotina dos 140 alunos que frequentam a Escola Municipal de Educação Infantil Integrada (Emeii) Márcia Andaló Mendes de Carvalho, no Parque Roosevelt, foi alterada ontem, primeiro dia de aula após o último roubo do qual a unidade foi vítima. A situação foi um pouco mais delicada para as 16 crianças de quatro meses a dois anos que permanecem no berçário da escola, que foi praticamente ‘limpo’ pelos ladrões na madrugada de domingo.

“Eles não puderam ouvir música ou ver DVD enquanto esperavam a mamadeira, como normalmente fazem, porque tudo foi roubado. Avisamos as mães e, como a maioria dos funcionários ainda estavam abalados, algumas preferiram levar seus bebês para casa. É muito triste pensar que esses criminosos não estão poupando nem mesmo nossas crianças”, pondera a diretora da escola, Sandra Ângelo Rodrigues.

De acordo com ela, como a escola possui duas cozinhas, a alimentação do berçário continuará sendo fornecida normalmente até que os equipamentos roubados sejam substituídos pela Secretaria Municipal de Educação. “Se precisar, para resolver a situação temporariamente, as funcionárias e as mães já se dispuseram a ajudar. Se precisar, a gente vai trazer as coisas de casa para que não falte nada para os bebês”, comenta.

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Outros casos

O furto seguido de roubo à Escola Municipal de Educação Infantil Integrada (Emeii) Márcia Andaló Mendes de Carvalho foi o terceiro ocorrido em unidades de ensino da prefeitura na última semana. Na madrugada do último dia 24, vândalos arrombaram o portão da Emeii Antônio Daibem, localizada no Jardim Vânia Maria, e levaram quatro torneiras, que foram posteriormente recuperadas.

Elas estavam dentro de um saco plástico, que foi localizado dias depois por um funcionário da instituição em um terreno próximo. A unidade já havia sido furtada em março, um dia antes de sua inauguração, quando pessoas não identificadas furtaram computadores do Polo de Informática. No final de semana anterior, Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Antônio Guedes de Azevedo também teve 12 torneiras dos bebedouros furtadas.

Nos últimos meses, o JC tem divulgado ao menos um furto a instituições de ensino infantil do município por mês. Em junho, por exemplo, uma máquina de lava-jato foi levada da Emei Madre Tereza de Calculá, que fica no Núcleo Bauru 2000. Em maio, um vigia da Emei Cônego Aníbal Difrância, no Parque São Geraldo, foi rendido e roubado em R$ 280,00 por um homem que estaria armado.