08 de julho de 2026
Regional

Celular pode ter causado morte de jovem

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - A Polícia Civil de Jaú (47 quilômetros de Bauru) pediu à Justiça a prisão temporária, por 30 dias, de dois jovens suspeitos de envolvimento na morte do calçadista Murilo Antônio Forte Bonfante, 20 anos, que foi violentamente agredido na madrugada do último dia 16, no Jardim Cila Bauab. O jovem, que ficou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa da cidade, em coma, morreu no dia 21. Leandro Juarez Ferreira Basílio, vulgo “Dão”, 28 anos, e Luiz Gonzaga dos Santos, vulgo “Bruxo”, 29 anos, estão presos e deverão responder por latrocínio (roubo seguido de morte).

Segundo o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Edmilson Bataier, o calçadista foi encontrado por moradores do bairro, na manhã do dia 16, caído na rua Francisco Vergílio, com ferimentos graves na cabeça e no queixo. Além de seu veículo Gol, foram roubados da vítima carteira com documentos pessoais, aparelho celular e um par de tênis. O carro foi localizado no mesmo dia, intacto, próximo a um posto de combustíveis no Jardim América, sem qualquer dano.

Confissão

O delegado conta que Leandro confessou ter agredido Murilo com um pedaço de madeira. Segundo relato do suspeito à polícia, a vítima teria ido até um imóvel em construção, localizado na entrada do bairro, com o objetivo de adquirir droga. No local, a polícia localizou farto material usado para consumo de crack. Contudo, a polícia não acredita na versão contada pelo principal suspeito, segundo a qual Murilo teria tentado roubar dinheiro dele.

“A versão apresentada pelo Leandro, que eu acho fantasiosa, é no sentido de que, num determinado momento, houve um desentendimento e o rapaz que estava ali adquirindo entorpecente passou, então, a tentar roubá-lo”, revela. “Mas nós temos outros dados que provam que, na verdade, ele, Leandro, é que tentou se apoderar de um aparelho celular (do Murilo)”.

Em seguida, ainda de acordo com Leandro, eles teriam entrado em luta corporal e, de posse de um pedaço de madeira que estava no local, ele teria passado a agredir a vítima. Segundo o titular da DIG, o segundo suspeito de participar do crime, Luiz Gonzaga, que também estava no local, declarou ter presenciado a discussão, mas negou que o calçadista tenha tentado roubar Leandro.

“Ele (Murilo) teria, segundo a versão do Luiz Gonzaga, ofertado o celular ao Leandro em troca do entorpecente. O Leandro simulou que teria a droga, mas não teria e, a partir de determinado momento, o Murilo passou a pedir de volta o celular. Em virtude disso, houve o desentendimento aonde eles vieram a entrar em luta e, nessa luta, o Leandro teria desferido essa paulada”, conta.

O delegado afirma que a versão de Luiz Gonzaga é confirmada por uma mulher, usuária de drogas, que também estava no imóvel na data do crime, mas teve a identidade preservada. Apesar de considerar o fato esclarecido, Bataier não descarta a possibilidade de realizar acareação entre os dois suspeitos para que não restem dúvidas sobre a motivação das agressões. O pedaço de madeira utilizado para agredir o calçadista, com manchas de sangue, foi apreendido.

“Como foi subtraído um par de tênis, além de documentos e também o aparelho celular, que não foi localizado até o momento, o Leandro foi indiciado por latrocínio”, explica. Se a participação de Luiz Gonzaga for confirmada, ele também poderá responder pelo mesmo crime, com pena que varia de 20 a 30 anos de prisão, no caso de condenação. Os dois devem ficar presos por 30 dias, prazo para conclusão do inquérito, que poderá ser prorrogado por mais 30 dias.