08 de julho de 2026
Nacional

Queda de Dilma acirra a disputa


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São Paulo - As denúncias de corrupção na Casa Civil parecem estar cobrando seu preço da líder da corrida presidencial. A candidata governista, Dilma Rousseff (PT), registrou queda de 3 pontos percentuais, segundo pesquisa Datafolha publicada ontem, tornando agora incerta a definição da eleição já no primeiro turno.

Segundo analistas, o movimento não pode mais ser atribuído apenas a um ajuste natural dos eleitores que ocorre normalmente próximo à eleição, sendo resultado também do desgaste sofrido pela petista em meio ao noticiário recente recheado de denúncias.

Dilma caiu para 46% das intenções de voto, em comparação aos 49% cinco dias antes, segundo o Datafolha. José Serra (PSDB) se manteve em 28% e Marina Silva (PV) oscilou 1 ponto para cima e agora tem 14%. Declararam voto branco ou nulo 4% e 7% afirmaram não saber em quem vão votar.

Analisados somente os votos válidos, que excluem os brancos e os nulos, Dilma caiu para 51% e a soma de seus adversários subiu para 49%. Na prática, isso significa que não é possível afirmar se haverá segundo turno, já que a margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais.

Para Carlos Melo, professor do Insper-Instituto de Ensino e Pesquisa (antigo Ibmec), além da alteração de reta de chegada que tende a acontecer, há um desgaste da candidatura do governo que “há quatro semanas está sob fogo cerrado”. “É como chacoalhar um limoeiro”, comparou Melo. “Você sacode ele dez vezes e não cai nenhum limão. Depois volta lá e sacode mais cinco. Caem cinco ou seis limões. Eles caíram porque chacoalhou as cinco vezes ou porque chacoalhou quinze vezes?”

No final do mês passado, Dilma e sua campanha foram atingidas pelas notícias de quebra de sigilos fiscais de pessoas ligadas a Serra, incluindo sua filha. O tema passou a ser recorrente nos ataques de Serra à petista. Vieram então as denúncias de tráfico de influência na Casa Civil, que levaram à demissão de Erenice Guerra, que foi secretária-executiva de Dilma, quando a candidata chefiava a pasta.

Segundo o Datafolha, desde a última pesquisa realizada antes da saída de Erenice, Dilma perdeu cinco pontos.

Apelo

Dilma procurou minimizar a queda na pesquisa, dizendo que neste momento da campanha eleitoral subidas e descidas são normais. Mas fez um apelo à militância para ir às ruas buscar votos. “Para ter certeza do que vai acontecer, vai ter que esperar a urna fechar e ter respeito pelo eleitor. Daí para frente, contar os votos e discutir”, disse, em Brasília. Enquanto isso, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, divulgou carta no site da legenda pedindo à militância para garantir a vitória no próximo domingo.

Segundo turno

O desempenho de Dilma piorou também, e de forma ainda mais acentuada, quando se olha os números de um eventual segundo turno contra Serra. Segundo o Datafolha, a petista tem 52% contra 39% do tucano. Na pesquisa anterior, o placar era de 55% a 38%.

Para Carlos Melo, do Insper, “é pouco provável” que, caso a eleição vá para o segundo turno, Serra consiga reverter a vantagem de Dilma e se eleger no dia 31 de outubro, mas não descartou a possibilidade.

E a socióloga Fátima Pacheco Jordão levanta um outro ponto ainda sobre essa reta final. Para ela, há uma questão de gênero envolvida na mudança mostrada pelo Datafolha. Movimento que acabou não mexendo com Serra, “ironicamente”, segundo ela, o maior beneficiado devido à possibilidade de segundo turno.

Eleitores e eleitoras do país têm uma percepção de que mulheres devem estar na política, argumentou a socióloga, por isso o crescimento de Marina após as denúncias contra Dilma. Além disso, “parte da Dilma que caiu foi para indecisos”, disse. “Isso significa que também está nas mãos das mulheres. Na eleição passada, as mulheres definiram o segundo turno”, argumentou, acrescentando que 60% dos indecisos são mulheres.