08 de julho de 2026
Internacional

Netanyahu desaprova discurso de premiê


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Tel Aviv - Em reação ao discurso do chanceler Avigdor Lieberman na ONU - que entre outros temas polêmicos sugeriu que os israelenses de origem árabe saiam do país em troca da devolução dos territórios ocupados na Cisjordânia - o premiê Benjamin Netanyahu deixou claro que “não aprovou” o conteúdo do pronunciamento e que é ele quem chefia o diálogo de paz, e não o chanceler, informa o jornal “Haaretz”.

O polêmico pronunciamento do chanceler israelense, ligado à extrema direita, indicou ainda que o país “não é influenciado pelo Ocidente” e que a solução de dois Estados “não garante a paz” na região.

“O discurso de Lieberman não foi coordenado com o premiê. Netanyahu é a única pessoa lidando com as negociações de paz representando Israel. Os diversos assuntos que cercam o acordo de paz serão discutidos e decididos somente na mesa de negociação, e em nenhum outro lugar”, disse o gabinete do premiê em comunicado.

De acordo com a posição de Lieberman, os cerca de 20% da população israelense que têm origem árabe seriam retirados do país “em troca” da devolução dos territórios ocupados pelos colonos judeus na Cisjordânia aos palestinos.

A idéia, tradicionalmente defendida pela extrema direita israelense, não integra a política do atual governo no processo de paz e torna mais evidente o racha ideológico entre Netanyahu e Lieberman.

Dias atrás o chanceler tornou público que discorda da posição do premiê quanto ao diálogo de paz.

Discurso

Durante o discurso na 65ª Assembleia Geral da ONU, Lieberman defendeu o sionismo e reiterou que Israel não é “só o local” onde seu povo está, mas também a própria definição do que os judeus “são” como etnia.

Outro barco

A Marinha israelense abordou ontem um iate no mar Mediterrâneo para impedir que um pequeno grupo de ativistas judeus chegasse à Faixa de Gaza para protestar contra o bloqueio de Israel ao enclave palestino.

Um comunicado militar informou que a embarcação Irene, de bandeira britânica, foi apreendida sem incidentes perto do litoral de Gaza, dentro da área de 20 milhas náuticas que Israel define como águas territoriais de Gaza. O iate foi levado para o porto israelense de Ashdod.

O grupo de nove ativistas - de Israel, Grã-Bretanha, Alemanha e Estados Unidos - tinha partido de Chipre no domingo com o objetivo de desafiar o bloqueio de Israel contra Gaza e mostrar o sofrimento dos palestinos que vivem no território. Israel considerou a ação como provocativa.

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Abbas: ‘diálogo depende do fim das obras’

Paris- Em entrevista à rádio Europe 1, em Paris, o líder palestino Mahmoud Abbas deixou claro que pode abandonar as negociações de paz caso Israel não volte a suspender as obras nas colônias judaicas, liberadas anteontem após dez meses de interrupção. A decisão final, no entanto, só será divulgada no dia 4 de outubro, após uma reunião com os países da Liga Árabe.

“Pedimos a moratória enquanto existirem negociações porque enquanto há negociação, há esperança”, afirmou Abbas um dia após uma reunião com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Em uma entrevista coletiva ao lado de Sarkozy, Abbas declarou que desejava que o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, prolongasse por três ou quatro meses a suspensão da colonização na Cisjordânia.