09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A TRISTEZA DESTAS ELEIÇÕES


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Todo este tempo só observei a política nacional. Não ia manifestar-me porque é uma política que decepciona e indigna, mas, agora, às vésperas de importantes eleições, não posso calar-me. O fato é o seguinte: se um governo de “direita” fizesse um terço do que já fez o governo Lula, já teriam pedido o impeachment dele. Fisiologismo quase todos têm, mas o presidente Lula aceita, ignora e tenta acobertar erros e corrupção de aliados e companheiros do PT alegando desconhecimento ou “perseguição política”.

Existe uma errônea cultura assistencialista no país e uma permissividade irresponsável aos deslizes dos que têm baixa renda. Como o presidente foi metalúrgico e é de origem modesta, todas as concessões a ele são feitas.

Lula é vaidoso e centralizador de poder pessoal, vendeu um retrato adocicado do Brasil no exterior, faz propaganda milionária de seu governo (às custas do contribuinte), viajou demais pelo mundo todo, inchou como nunca a máquina pública com ministérios, cargos de confiança e aumentos exorbitantes dos salários federais.

Ajudou os banqueiros, a indústria automobilística e países estrangeiros, mas, em contrapartida, deu “salário ajuda” de vários tipos aos pobres (é uma balela dizer que 50,00 ou 100,00 reais tiram uma família da pobreza) e ignorou a classe média.

O Censo (IBGE) divulgou que o número de filhos por família está caindo, é exato, mas a verdade é que a classe média só pode ter um filho ou dois, porque tem que ralar para trabalhar e pagar escola particular e plano de saúde caríssimos, enquanto a classe mais pobre continua a ter 6, 8, 10 ou 12 filhos, sem responsabilidade alguma, nem pessoal nem dos governantes, porque sabem que vão ter a escola, a creche, o transporte, a merenda, serviços médicos, benefícios, perdão de dívidas públicas, vale-transporte, vale-refeição, enfim, tudo de graça, sejam esses serviços de qualidade ou não.

Essas crianças numerosas e pobres passam necessidades, sofrem todo tipo de violência, começam cedo a trabalhar para ajudar os pais ou caem na marginalidade. E são esses os que votam em peso no governo Lula e na sua candidata fabricada, um governo que não investiu no saneamento básico (os rios brasileiros estão todos poluídos), que desrespeita as instituições e leis, e posa afrontosamente de cabo eleitoral da Dilma e do Mercadante.

Com a continuidade do governo Dilma, vamos continuar nessa política rasteira de menosprezo à cultura, à educação e à saúde, de destruição do meio ambiente, porque o que importa é o “maravilhoso desenvolvimento econômico”. Neste aspecto Lula foi bem sucedido.

Por tudo isso, vê-se que temos ótimas propostas e alternativas ao governo atual: a do PV e a do Psol. Plínio de Arruda Sampaio e Marina Silva são bem preparados, idealistas e éticos. Só que o discurso do Plínio está desvinculado da realidade, é utópico, agressivo e até ingênuo, como se ele pudesse mudar a robusta realidade capitalista atual. Serra também é um bom político, um homem íntegro, tem uma história pessoal e política que o qualifica ao cargo pretendido. São Paulo é o Estado mais desenvolvido do país, tem pedágios demais, mas pelo menos dirige-se com segurança por estradas modernas e bem equipadas. Só quem viaja de carro pelo país pode atestar a precariedade das outras estradas.

Falam também mal d educação, mas os professores paulistas, embora mal remunerados, são mais bem pagos que em outros Estados e, equivocadamente (porque é mais fácil deixar com está), rejeitaram as reformas e a promoção por mérito do governo Serra. A desvalorização da educação vem de uma política desastrosa em nível nacional.

O Partido Verde e Marina Silva, de todas as propostas, é um passo a frente. O PT tem um projeto de poder centralizador que a Marina não tem, ela rejeita o fisiologismo, é culta, profunda conhecedora dos assuntos, honesta e coerente. Prioriza os direitos humanos, a ética e a questão ambiental. Não trata o meio ambiente como os demais partidos, como mero apêndice, mas mostra nossa responsabilidade social e ambiental porque formamos um só todo, seres vivos e Terra.

A destruição dos recursos naturais gera alterações climáticas, pobreza a médio prazo e doenças de todo tipo. O PV quer ajudar a Terra e seus habitantes a reencontrarem seu equilíbrio, porque se continuarmos nesse ritmo de devastação e alteração da natureza, nós, e as demais espécies animais, seremos todos os mais ameaçados.

José Maria Viana de Macedo