08 de julho de 2026
Rural

Ferrugem pode derrubar produção de soja


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A ferrugem asiática da soja foi tema que concentrou atenções em reunião nesta semana na Câmara Temática de Insumos Agropecuários, órgão consultivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O representante da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) na Câmara, Alécio Maróstica, disse que os defensivos disponíveis no mercado nacional não apresentam mais ampla efetividade no combate à doença e alerta que há excessiva lentidão da burocracia estatal para liberar defensivos mais modernos e eficientes.

“Se demorar muito, poderemos ter um colapso na produção de soja, causando prejuízo para todo o País”, disse Maróstica à reportagem.

Na safra 2009/2010, o Brasil plantou 23,467 milhões de hectares com soja e colheu 68,688 milhões de toneladas do grão, conforme a mais recente estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento. Dados do Mapa indicam que a soja (incluindo grão, farelo e óleo) foi responsável por exportações de US$ 13,4 bilhões entre janeiro e agosto deste ano. A ferrugem asiática, doença causada por um fungo e que afeta a produtividade, teve o primeiro registro em lavouras brasileiras na safra 2001/2002.

O representante da CNA disse que o produtor rural não está encontrando produtos que sejam capazes de combater a ferrugem asiática. “Precisamos de produtos mais eficientes, pois os que estão disponíveis não vêm funcionando bem”, alertou o representante da CNA. Segundo Maróstica, é preciso “resolver alguns problemas de burocracia na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”.

O coordenador geral de agrotóxicos e afins do Mapa, Luís Rangel, argumentou que a ferrugem asiática é um assunto que exige atenção, mas que não inviabilizará a próxima colheita. “A safra não será perdida”, declarou Rangel.

Agricultura tropical

O técnico do Mapa disse que o governo trabalha sob cuidado constante em relação que afetam as lavouras, levando em consideração as características próprias da agricultura tropical brasileira.

O representante do ministério admitiu, entretanto, que os defensivos contra a ferrugem asiática não são mais tão efetivos quanto no passado. “É claro que são eficientes, mas não tanto quanto há dez anos”, afirmou.

Para Rangel, é necessário praticar com maior rigidez os períodos de “vazio sanitário”, de forma a garantir a erradicação da doença. A proposta do Mapa é justamente reforçar essa política, que é manter as lavouras durante um determinado período - em média 90 dias - sem o cultivo da soja, de forma a evitar a disseminação do fungo.

O presidente da Câmara Temática e diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Cristiano Walter Simon, disse que o recrudescimento da ferrugem asiática foi causado tanto por problemas com defensivos defasados quanto pelo descumprimento do período em que as lavouras deveriam ficar “limpas” para evitar a disseminação do problema. “Por isso decidiu-se pelo reforço na campanha de realização do vazio sanitário”, disse Simon.

Ainda assim, o presidente da Câmara afirmou que não há como ignorar o aumento da resistência da ferrugem. “Precisamos de novos produtos para substituir ou complementar os defensivos que já existem”, disse.

Assim como Maróstica, Simon criticou a demora na liberação de registros de novos defensivos, citando que a demora estaria concentrada na Anvisa e no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).