Amanhã, dia 3 de outubro, vou participar do processo de seleção de profissionais para trabalhar em meu negócio. Vou selecionar, juntamente com o povo brasileiro, um presidente, dois senadores, um deputado federal, um governador e um deputado para o Estado de São Paulo. Estamos, juntos, tentando escolher representantes para os cargos mencionados. Tenho a sensação de que é o mesmo procedimento de contratação de uma grande empresa do qual sou um dos acionistas. As pessoas se candidatam, apresentando os seus currículos e suas propostas de trabalho. Nós, o povo, constituímos o conselho que irá emitir opinião sobre os candidatos mais preparados para os respectivos cargos. Nossas escolhas, portanto, devem ser pautadas por candidatos que têm características semelhantes às nossas. Afinal, são estes sujeitos que irão nos representar, assim como qualquer funcionário de uma empresa de mercado.
Curioso, quem te representa é alguém que “se apresenta no seu lugar”, ou seja, que defende os seus valores e princípios morais. Em outras palavras, é alguém muito parecido como seu modo de ser e viver. O que é difícil de entender é como alguém pode se sentir “representado” por “palhaços”, por indivíduos que “roubam mas fazem”, por homens que “batem em mulheres”, por pessoas que “defendem interesses criminosos”, entre outras características. Representar também pode significar que você assinou uma procuração em favor de outra pessoa. Cada um vai escolher aquele com os quais você tem mais identidade, de tal sorte que, se você escolheu um “palhaço” é porque você tem a aspiração de ser um ou porque o modo dele de ser é muito parecido com o seu. O mesmo vale para os oportunistas, os covardes ou os criminosos. Para decidir nesta eleição, imagine que você é proprietário de uma empresa e que você vai ser um daqueles conselheiros que irão escolher os novos contratados para representar sua empresa. Você protestaria contra sua empresa, da qual depende a sua sobrevivência, contratando alguém que vá enxovalhar o seu nome e o da sua família? Pense a respeito! Meu negócio é o Brasil!
O autor, professor doutor Henrique Luiz Monteiro, é do Laboratório de Avaliação e Prescrição de Exercícios - LAPE , do Departamento de Educação Física Faculdade de Ciências da Unesp - câmpus de Bauru