Carros por paixão e realização profissional
Depois do colégio, passeios com os amigos como idas ao shopping fazem parte da rotina de boa parte dos adolescentes que vivem em centros urbanos. Para Evandro Ribeiro Filho, a rotina aos 14 anos de idade era escola e, depois, trabalho. “Não gostava muito de estudar quando jovem, percebendo isso, meu pai me apresentou o trabalho bem cedo. Claro que, na época, não gostei nem um pouco, mas agradeço e reconheço como ótima a atitude dele”.
Foi ainda bem jovem, trabalhando em um posto de gasolina da família, que o idealizador do Shopping AutoFest viu sua paixão e habilidade por compra e venda de carros nascer.
“Em 1990, eu e meu irmão montamos uma loja de carros. Foi uma coisa séria na brincadeira”, sorri ao lembrar. A partir daquele ano, ele não parou mais de trabalhar com carros até realizar seu sonho de consolidar o shopping do automóvel. Além dessa realização, outro desejo de menino foi concretizado ainda na juventude: o de ter uma boate. Em 1992, Evandro e alguns amigos fizeram sucesso com a Rock Drinks.
Admirador dos pais, o empresário fala também sobre a importância da família em sua trajetória de vida, além de projetos profissionais e pessoais. Confira os principais trechos da entrevista que ele concedeu ao Jornal da Cidade.
Jornal da Cidade - Você começou a trabalhar cedo?
Evandro Ribeiro Filho - Bem cedo. Eu tinha 14 anos quando comecei a trabalhar em uma loja de esportes da minha mãe na Batista de Carvalho. Não era um menino aplicado na escola, então, meu pai disse que eu precisava estudar e trabalhar. Fui para a loja da minha mãe, mas era aquela coisa de mãe. Eu chegava tarde ao trabalho, saía cedo... levava no bico, como se diz. Comecei a trabalhar naquela fase onde o adolescente começa a curtir a vida. Mas meus pais sempre acharam importante começar o trabalho cedo e perceberam que eu estava enrolando. Foi quando meu pai tomou outra decisão.
JC - E qual foi esse novo passo?
Evandro - Ele disse que havia me arrumado um emprego de verdade (risos). Nessa época, meu pai era gerente regional do Banco Bandeirantes e conseguiu uma vaga de contínuo nesse banco. Eu fazia de tudo, como um office-boy. Assim, ele (meu pai) fez com que eu aprendesse a trabalhar desde pequeno. Lembro-me que estudava no período da manhã e trabalha depois. Meus amigos voltavam tirando sarro em mim dizendo: “Vai lá burrão, vai trabalhar” (risos)... Eu ia com raiva dos meus pais, que não me deixavam curtir o tempo depois da escola. Trabalhei durante um ano e meio nessa empresa e fui fazer intercâmbio nos Estados Unidos.
JC - Imagino que foi uma época de boas experiências.
Evandro - Morei lá entre agosto de 1988 e março de 1989. Tive a oportunidade de fazer medicina lá, o que era um sonho por causa da profissão de meu avô, mas eu não gostava muito de estudar e decidi voltar. Os costumes de lá são totalmente diferentes. É uma outra cultura. Foi uma fase muito importante, apesar de ser imaturo na época.
JC - O que fez quando voltou?
Evandro - Pensei que iria curtir a vida, já que havia ficado fora um bom tempo. Esse plano durou apenas uma semana e meu pai disse que meu emprego estava garantido no banco. Tive uma promoção (risos). Eu fazia ordem de pagamento na máquina de datilografia. Depois disso, no começo da década de 90, meu pai era sócio de um posto de gasolina e me colocou para trabalhar lá. Foi nesse período que a vontade de comprar e vender carros foi despertando meu interesse.
JC - Sempre foi apaixonado por carros?
Evandro - Sempre gostei de carros. Com 15 anos eu já dirigia e tinha meu automóvel, mas sempre fui responsável, não era como muitos garotos hoje. Então, fazia de tudo no posto de gasolina. Havia um boxe de lavagens de carros onde eu e meu irmão começamos a comprar e a vender veículos. O interesse foi crescendo e, em 1990, nós montamos uma pequena loja. Foi uma coisa séria, mas na brincadeira. Vendíamos os carros e fazíamos churrasco para comemorar. Ficamos com esse negócio até 1994. Porém, em 1992, eu e mais dois amigos compramos uma boate chamada Rock Drinks.
JC - Foi um sonho de juventude realizado?
Evandro - Ah, sim. Era o que eu mais queria na vida. Tinha 20 ou 21 anos e conheci muita gente naquela época. Aqueles anos me marcaram. Foi o primeiro negócio que tive, que batalhei, e era algo que gostava muito. Meus pais não queriam por ser um trabalho da noite, e acabei comprando sem eles saberem. Eu e meus amigos vendemos nossos carros para juntar a grana, mas deu tudo certo. Foi um sucesso. Posso dizer que foi o maior sucesso das noites de 1992 a 1994 em Bauru.
JC - Qual foi o próximo passo depois da boate?
Evandro - Como as casas noturnas têm períodos cíclicos, a Rock Drinks teve o seu. Nesse mesmo período, começava a crescer a venda de carros importados no País e eu tive a oportunidade de gerenciar uma empresa familiar. Abrimos uma loja de automóveis da Suzuki. Os carros vinham do Japão para cá. Foi um período muito bom, mas que não durou muito devido aos problemas que o Brasil enfrentava com as alíquotas de importação. Depois disso não parei mais de trabalhar com carros. E resolvi voltar aos estudos.
JC - O despertar pelos estudos veio com a maturidade?
Evandro - Isso mesmo. Já estava com outra cabeça e senti vontade de cursar a faculdade de direito. Prestei vestibular e isso foi uma das melhores coisas que fiz. Fui convidado pela Suzuki a fazer parte de um trabalho de aperfeiçoamento. Nessa época, surgiu a oportunidade de fazer um curso voltado para a gestão de concessionárias de automóveis. Isso me abriu horizontes. Conheci muita gente e aprendi muito. Terminando a faculdade também fiz um MBA em gestão empresarial. O que eu não gostava de estudar quando jovem, faço hoje com prazer. Só não estudo mais por falta de tempo. Mas sempre que posso faço alguma coisa. Conhecimento é muito importante. Sou uma pessoa tímida, mas sempre tive bons relacionamentos. Estas são duas coisas muito importantes.
JC - Como surgiu a ideia do Shopping AutoFest?
Evandro - Em 2003 eu e meu irmão resolvemos sair da empresa familiar e abrimos uma loja de compra e venda de carros na Getúlio Vargas. O negócio foi evoluindo. Em 2005, vendo televisão, eu vi um programa sobre shopping de carros. Chamei minha esposa e disse que montaria um negócio daquele. No dia seguinte comecei a desenvolver o projeto. Nesse período fiz um feirão que foi um sucesso. Repeti a dose e decidi que desenvolveria o shopping. Financeiramente não sabia como, mas fui investindo no projeto. Entrei de cabeça. Viajei por muitas cidades vendo o que era bom e o que não era no ramo. Tive a felicidade de encontrar um grupo de feirão, gente que hoje são pessoas amigas, e financeiras que aceitaram o projeto. Tive a ajuda de um amigo, o advogado Luiz Augusto, na parte jurídica, e encontrei mais dois parceiros, que são meus sócios no empreendimento. O AutoFest está dando muito certo. Muita gente duvidou por ser uma coisa nova. Muitos perguntavam se isso daria certo em Bauru. Acho que tudo dá certo em Bauru, desde que seja bem feito.
JC - Você fala bastante em seus pais. Qual é a importância da família para você?
Evandro - Meus pais sempre foram muito presentes na minha vida e na vida do meu irmão. Não passo um dia sequer sem falar umas dez vezes com meus pais. São minha retaguarda, meu braço direito, esquerdo... Família é essencial. Agradeço imensamente eles terem me apresentado ao trabalho desde muito jovem. Minha esposa também é muito companheira. Ela chegou em minha vida em um momento muito importante e me apoia em tudo. Com ela, acabei ganhando outra família, já que sou muito ligado também à família de minha esposa.
JC - Como empresário, o trabalho ocupa a maior parte do seu tempo. O que costuma fazer quando está de folga?
Evandro - Adoro cozinhar. Sempre fui muito guloso (risos). Tanto é que a maior briga da minha vida é com a balança. Depois do casamento, a vida ficou mais calma e os programas passaram a ser caseiros. Tenho amigos de infância e outros mais recentes. Sempre digo que a amizade é fundamental na vida da gente. Promovemos reuniões para cozinhar sempre em casa ou na casa deles.
JC - Viaja muito?
Evandro - Viajar é outra coisa que gosto muito de fazer, embora hoje o tempo esteja escasso. Conheço muitos lugares dos Estados Unidos, Austrália, Inglaterra, França, Espanha, boa parte da América do Sul, como Argentina, Chile e Uruguai. Viajei muito desde pequeno.
JC - Quais são os projetos futuros?
Evandro - Estou muito focado no AutoFest e trabalhando muito em sua consolidação. Foi um sonho de vida que realizei. Esse é meu foco profissional. Já na vida pessoal, filhos são os planos. Eu e minha esposa estamos projetando a vinda das crianças.