09 de julho de 2026
Internacional

Equador manda prender rebelados

Flávia Marreiro
| Tempo de leitura: 2 min

Quito - A Justiça do Equador determinou ontem a prisão de três coronéis da Polícia Nacional, no primeiro movimento da investigação para punir responsáveis pela rebelião da última quinta-feira.

Na ocasião, o presidente Rafael Correa foi atingido por bombas de gás lacrimogêneo e precisou ser hospitalizado. A causa foi a insatisfação com a remoção de benefícios da carreira policial.

Correa diz ter sido vítima de uma tentativa de golpe e alega que ficou “sequestrado” no hospital até ser resgatado por uma tropa fiel. Segundo o jornal “El Universo”, os três oficiais - Edwin Echeverría, Julio Cueva e Jorge Rivadeneira, todos da região da capital, Quito - se entregaram anteontem.

O comandante da Polícia Nacional, Freddy Martínez, já havia renunciado um dia antes. Outros cinco generais foram destituídos do cargo. “Todos os identificados perderão o porte de armas”, afirmou o ministro do Interior, Gustavo Jalkh.

Correa, em reunião ministerial transmitida pela TV, rebateu a afirmação de um médico do hospital de que ele não havia sido feito refém. “Um infame médico do hospital disse que eu sou mentiroso. Sim! Por isso, convocou-se 600 homens de forças especiais”, disse ele, que afirmou que o plano dos rebeldes era matá-lo. O Ministério da Saúde fala em ao menos oito mortos.

Anteontem, Correa recebeu chanceleres da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) em Quito.

Ao final da reunião, o Equador anunciou a decisão do bloco de redigir uma “cláusula democrática”, a exemplo da OEA (Organização dos Estados Americanos), para definir medidas concretas de reação a golpes, como fechamentos de fronteiras e embargo comercial.

O país especulava ainda se Correa cumpriria as ameaças de dissolver o Parlamento e convocar eleições gerais, a chamada “morte cruzada”.

Para parlamentares ouvidos pela reportagem, o incidente com a polícia deveria incentivar o Executivo a engavetar o projeto com o objetivo de não potencializar a “angústia” do país.

“Creio que com os acontecimentos da quinta-feira essa medida perde peso. Foi um divisor de águas”, disse Paola Pavón, deputada do Aliança País, o movimento político de Correa.

Se se decidir pela “morte cruzada”, o presidente terá poder de legislar por decreto até a organização das próximas eleições gerais.