09 de julho de 2026
Articulistas

Brasil: eu te amo mesmo assim!

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 2 min

Que neste dia haja um alinhamento dos astros e o magnetismo do universo derrame suas energias nas mentes dos brasileiros para que seus votos façam a história do melhor caminho. Neste dia tão importante para a democracia, ao votar não consigo parar de cantarolar uma velha canção:

Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora / Não espera acontecer... Se respira, fala, come, ignora ou elogia, você está relacionando-se na pólis, ou melhor na cidade, como os gregos referiam-se aos aglomerados urbanos. A relação humana é uma atividade própria dos urbanos, de quem mora nas cidades e por isto recebe o nome de política ou a arte de viver. Caso você não goste de política nos e dos partidos, tudo bem! Mas política inevitavelmente todos nós fazemos, pois é inerente à vida, ao cotidiano. Cada opção, cada escolha, cada compra; qualquer ida e vinda representa um ato político.

Ao criticar qualquer um de nossos governantes e qualquer um de nossos parlamentares acusando-os de corruptos, individualistas, sonegadores e desonestos vamos fazer um exame de nossa consciência enquanto cidadão. Antes de destroçar com nosso congresso, assembléia legislativa e nosso executivo vamos revisitar nossas condutas e posturas no cotidiano. Por que “nossos”? Por que os escolhemos na última eleição: aliás, você lembra em quem votou na última eleição para deputado e senador? Nossos governantes e parlamentares representam a sociedade: são amostras do que é a sociedade!

Para induzir reflexões àqueles que tantos criticam os políticos, exatamente antes deste momento de escolher e votar, eu questiono: quantos destes críticos não reproduzem ilegalmente CDs, DVDs e livros pirateando os direitos autorais? Quantos não declaram certos rendimentos à receita federal? Quantos não sonegam impostos municipais como ISS, IPTU e outros? Quantos destes críticos no dia a dia subornam funcionários e ou pagam propinas e oferecem presentes para obter benefícios? Quantos não cobram comissões indevidas em suas vendas e compras? Quantos são deselegantes no trato com as pessoas no cotidiano ofendendo ou faltando com a educação e a ética?

A democracia a cada eleição permite-nos repensar, refletir, corrigir, confirmar e participar do processo de construção da sociedade que queremos para viver melhor. O erro e a imperfeição são inerentes a nossa condição de humanos. Vamos aproveitar este dia de eleição para drenar nossos fluídos e líquidos de cidadania e colocar nossas vontades e escolhas no leito caudaloso dos votos para legitimar aqueles que escolheremos para conduzir a nação.

Ao céticos e pessimistas eu peço desculpas, pois duas coisas eu não consigo separar uma da outra: eleição e poesia.

Com singeleza sugiro a todos que caminhem para o local da votação lembrando-se do poeta Cazuza que cantou Brasil! Mostre a sua cara! E a mim não importa, se bonita ou feia for a sua cara, eu te amo mesmo assim.

O autor, Alberto Consolaro, é professor titular da USP e colunista da seção Ciências, às segundas-feiras no JC