11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ah, se não fosse a imprensa livre...


| Tempo de leitura: 2 min

Na edição de 29/9 do JC, o senhor secretário municipal do Planejamento, Rodrigo Said, pontuou bem quando esclareceu sobre dúvidas levantadas na Câmara Municipal, no que respeita do trâmite dos projetos que almejam a aprovação de projetos pela Prefeitura Municipal. É sempre boa notícia o implemento de medidas que visem a desburocratizar o serviço público para facilitar os interesses dos munícipes. O secretário apontou a resolução de “pontos complexos” rotineiramente imbricados nesses empreendimentos.

Não se pode também deixar de anotar que estas e muitas outras interrogações somente vem à lume mercê da atuação do JC como instrumento eficaz de imprensa, não raro cumprindo seu papel de expor feridas e mazelas que de outra forma jamais seriam levadas ao conhecimento da população. É demonstração de independência e respeito para com os leitores e à sociedade como um todo. E, nesse mistér, mais uma vez expõem-se fatos que, em desdobramento suscitam indagações que não podem passar ao largo, tendo em vista que foram desveladas pelo próprio secretário Rodrigo Said.

Nestas informações (página 4 daquela edição), ele revela que a rua Antonio Machuca Sanches, imbricada no complexo comercial que se edifica nas suas imediações, “não foi desapropriada oficialmente”, aludindo a um “imbroglio judicial”. Vale dizer, a rua existe, mas não em caráter oficial e, mesmo assim, recebeu sua denominação através de Decreto Legislativo emanado da Câmara Municipal. Logo, o quadro que se desenha, pela informações do senhor secretário, se emoldura no sentido de que os implementos de iluminação pública - que deve ser exatamente pública - com o provimento de energia elétrica, arruamento por guias e sarjetas, enfim, de implantação de obras e dispositivos hauridos mediante o emprego de verbas públicas foram instalados em propriedade particular!

A quem se aproveita tal despautério? Em ocorrendo, no caso de ocorrer, desapropriação da área onde se encontra o leito carroçável e as lindes da referida "rua" sofrerá os efeitos de indiscutível melhoria e, portanto, respectiva valorização da propriedade, repita-se, particular, incrementada com o emprego de verbas do erário municipal. Outra questão que enseja esclarecimentos, seja pelo senhor secretário ou por quem suas vezes fizer, se refere aos trâmites (agora sim, obscuros porque o dinheiro público foi investido em terreno de particular (quem é, ou são, estes particulares e bafejados pela sorte?) internos da Seplan que determinaram a implantação das referidas melhorias.

Como tal malversação pode ocorrer? Em qual estes fatos ocorreram? A Câmara Municipal, que nesta gestão parece mover-se apenas pelo combustível da imprensa e assim mesmo com pernas excessivamente curtas, vai apurar os fatos colocados pelo secretário na sua esfera de atuação e no papel de órgão fiscalizador do Executivo? O Ministério Público, que também tem acesso ao jornal, atuará no caso? A população bauruense merece e aguarda as devidas respostas.

Edson Cardia - professor universitário